Poucos seriam aqueles que estariam à espera de um temporal desgraçado em pleno mês de Agosto. Apesar da localização do festival, Moledo costuma ser uma terra bem quente durante o verão, não fosse o clima estar completamente desregulado e apresentar aos festivaleiros chuva, vento e algum frio durante o SonicBlast deste ano. Os dois primeiros dias do festival foram os que sofreram mais desta maleita, sendo que o palco da piscina esteve encerrado e apenas abriu no sábado, 10 de Agosto, onde o sol já se mostrou e a chuva desapareceu. Felizmente, nem a chuva conseguiu parar o rock, desde o stoner ao sludge, durante estes dias.

O primeiro dia teve como banda de abertura os portugueses Jesus the Snake, que ainda tiveram o prazer de tocar sem chuva e para um público pronto a rockar. Foi um concerto curto mas cheio de energia e power para aquecer para a tempestade que se aproximava. Seguiram-se os High Fighter, banda alemã mais próxima do sludge e do doom. Estava tudo a correr bem quando a chuva tomou conta de Moledo e começaram os atrasos nos concertos. Maidavale, que deviam ter começado às 16h00, começaram com mais de uma hora de atraso, aproveitando uma ligeira aberta para entrar em palco. Contudo, a espera valeu a pena e este grupo, composto por quatro suecas, deu, até àquele momento, o concerto do dia. Muito psicadelismo e boa disposição foram o lema deste conjunto bem interessante. De seguida, recebemos os japoneses Minami Deutsch, para mim, uma das prestações mais desinteressantes e pouco conseguidas. Seguindo a linha musical dos Maidavale, e com alguns temas e sonoridades interessantes, não conseguiram cativar tanto o público. Desta forma, estava assim fechada a primeira parte de concertos, que foi feita no palco principal, devido aos problemas meteorológicos já referidos. Estávamos assim prontos para os pratos principais.

Os Devil and The Almighty Blues deram um show excelente, com um registo mais blues e western, com riffs lentos e bem groovie. Os Lucifer entraram de seguida, a banda mais hard rock do dia, tendo havido espaço para uma grande cover de Black Sabbath. Um concerto que possivelmente não interessou a todos, devido ao registo menos stoner ou doom, mas sem dúvida que tiveram força e garra para abanar o Minho. De seguida, e sobre uma chuva do demónio, chegavam os enomes Monolord. Os suecos subiram o som e ofereceram uma aula de doom para todos os presentes. Uma prestação exímia e, apesar da chuva torrencial, o público mostrou-se rijo e a acompanhar esta grande festa da pesada.

Os Earthless, já conhecidos destas bandas com presença já “assídua” no festival, entraram a seguir. Deram o seu melhor através do seu psicadelismo, fazendo-nos voltar aos anos 70. Foi bom, foi muito competente mas não chegou para bater o poder de Monolord. Os Graveyard eram uma das bandas mais esperada desta edição e, talvez por isso, o espectáculo ficou um pouco aquém do esperado. O som não estava excelente e os músicos pareciam não estar muito “ligados” ao público. Sentiu-se a falta de mais dedicação ou talvez a mensagem não nos chegou. Eis então que surge a surpresa da noite.

Os portugueses Solar Corona, onde a influência dos QOTSA ou Kyuss é visível e bem-vinda, deram o melhor concerto do dia. Apesar da hora tardia conseguiram agarrar o publico e mostraram que estavam realmente felizes de tocar ali. Um concerto perfeito, num momento em que a chuva tinha dado algum descanso a este público incansável. Foi um concerto fantástico para encerrar um dia brutal, diversificado e cheio de grandes nomes.

No que toca a logística do festival em si, houve alguns pontos fortes mas outros que esperava mais. Começando pelo que correu menos bem, creio que não é admissível que em 2019 se faça um festival sem multibancos por perto.  O multibanco mais perto do recinto fica a cerca de dez minutos a pé (e no regresso é uma subida e pêras) e estamos a falar de um festival já com uma dimensão acima da média. Além disso, apenas existiam bancas de comida fora do recinto e com uma oferta algo reduzida.

De muito positivo, destaque para o local, que é magnifico e lindo, inserido no meu das montanhas, oferecendo uma experiência de festival ainda mais fantástica.  O acesso ao recinto também é bastante tranquilo e todo o ambiente é bastante amigável. Talvez devesse ser um pouco maior, ainda por cima sendo um festival que tem esgotado nas últimas edições. Destaque ainda para a resiliência desta edição, que mesmo com múltiplos cancelamentos e alguns ajustes “em cima do joelho” conseguiu decorrer na sua normalidade.

Ainda assim, o SonicBlast é um festival já com um nome marcado em território português, que oferece uma experiência única para os fãs de stoner, doom ou sludge. Fazem falta mais festivais assim, que se dediquem a fundo a um género e tipo de público que sabem que, no final de cada edição, fizeram as maravilhas de muitos fãs.

O festival prosseguiu nos dias 9 e 10 de Agosto, com o derradeiro a possibilitar a abertura do palco da piscina como inicialmente previsto. Por Moledo passaram ainda nomes como Orange Goblin, Stoned Jesus, Eyehategod, Om, Belzebong ou Windhand, entre outros, que acabaram por encher as medidas de um festival de um nicho de um público que encontrou no Minho o seu Santo Graal. O festival regressa em 2020 para o seu 10º aniversário nos dias 13, 14 e 15 de Agosto.

Texto: Gonçalo Cardoso
Fotografia: Iago Alonso/SonicBlast

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