A banda Quadra é proveniente de Braga e apresenta um projecto instrumental que promete tornar-se bem conhecido dos portugueses. Apresentam-se como criativos e não experimentalistas, tendo como objectivo máximo a criação de boas músicas que demonstrem a paixão que têm pela música. Falámos com a jovem banda que lançou, no dia 27 de Abril, o seu terceiro registo em apenas três anos.

Ruído Sonoro: O vosso projecto instrumental surgiu em 2016, contem-nos como surgiu a ideia deste projecto?

Quadra: O protótipo de Quadra iniciou-se após uma conversa informal entre o Hugo (baterista) e o Sílvio (guitarrista) sobre a possibilidade de avançarmos com um projecto musical. Não tínhamos uma ideia bem definida do que queríamos fazer, no entanto, a ideia de realizar um projecto instrumental surgiu pouco tempo depois de iniciarmos o projecto.

RS: Que bandas vos inspiram?

Q: Podemos dizer que a nossa inspiração inicial passava muito por Tortoise, Battles, Jojo Mayer, entre outros, mas com a evolução do projecto perdeu-se um pouca esta característica mais “experimental” por assim dizer e procurámos definir a nossa sonoridade para música mais electrónica e de “dança” que realmente era um objectivo incial do projecto, mas que apenas foi possível concretizar com a entrada do Lucas (synths) na banda. Podemos dizer que nos influenciamos muito na estética de bandas como Chemical Brothers, Hot Chip, Cut Copy, mas só agora ao 3º registo vão encontrar essa orientação mais marcada.

RS: O vosso primeiro EP foi lançado em Julho de 2017, pouco menos de um ano depois, em Abril de 2018, lançam Cacau, uma absoluta explosão de sentimentos e instrumental. Qual é a maior diferença entre o EP e o álbum?

Q: Sem dúvida a diferença de atmosfera. Enquanto que o EP é mais obscuro, experimental e melancólico, o Cacau é totalmente despido de preconceitos e focado em atingir um fim mais vibrante e colorido. É importante ainda referir que algumas músicas passaram do EP para o álbum e conseguimos transformar a essência delas.

RS: Como foi a gravação de Cacau? O grupo concorda em todos os momentos, há gostos diferentes e como é que isso influencia o processo de gravação?

Q: Foi completamente DIY (do it yourself). Gravámos na nossa sala de ensaios e em casa do Lucas. Obviamente não concordámos em tudo mas a visão está sempre lá e no final tudo que seja de discórdia acaba por fazer sentido. Em relação ao processo de gravação não pode haver discórdias, na composição sim , mas na gravação ir com pontos ainda por resolver não leva a grandes resultados.

RS: Chili é o nome do novo álbum. Foi lançado, ao vivo, também em Abril, no dia 27. Expliquem-nos o conceito do novo álbum. É mesmo “mais picante” do que o anterior? O que distingue Chili de Cacau?

Q: Sim, é o terceiro registo em três anos consecutivos e lançados em Abril. O Chili é certamente mais picante mais directo e mais focado naquilo que perspectivámos após este ano de concertos. Conhecemos os nossos ouvintes e conhecemo-nos muito bem após o último ano. Foi certamente o registo que foi mais fácil de compor porque o alvo já estava na nossa cabeça e só faltava a seta.

É um álbum orientado para a dança sem dúvida. Não esperem melancolia, tudo o que fizemos no Cacau parece melhor e mais intenso no Chili, sem rodeios e com menos experimentalismo. Este álbum caracteriza o nosso som e marca a nossa posição no panorama nacional.

RS: Ainda antes do lançamento de Chili, no dia 28 de Março, estiveram no JN. Falaram um pouco de vós e ainda tocaram. Contem-nos como surgiu o convite do JN. Sentem que estão a atingir outro patamar ou nem sequer pensam nisso?

Q: Não pensamos muito nisso, estamos satisfeitos com a nossa evolução, mas queremos muito mais.

RS: A apresentação oficial do disco foi ao vivo no gnration, no dia 27 de Abril. Como surgiu o convite, tendo em conta que já colaboraram com o projecto gnration?

Q: O convite foi endereçado pelo Luís Fernandes no contexto de “trabalho de casa” do Gnration. Já colaboramos na altura do Braga Music Week, onde tocámos versões de Mão Morta.

RS: “Chili” foi o primeiro single do álbum e conta com a participação de Rita Sampaio que acrescenta voz a este projecto instrumental. Como foi o contacto com a Rita e como foi a experiência de “apresentarem” o álbum com um vídeo engraçado e muito original?

Q: Foi uma experiência incrível, conhecemos a Rita há já algum tempo e o convite foi feito já no lançamento do EP há dois anos. Faz parte certamente do futuro da música nacional e ter esta oportunidade foi fantástico.

RS: “Chili” não é o vosso primeiro vídeo, aliás, é o quarto. Depois de “Mutações”, “Mapa de Fuga” e “Pulsar”, este “Chili” é muito diferente. Gostam de fazer vídeos? Sentem que é uma boa forma de ‘comunicarem’ com o público?

Q: Não há melhor forma de comunicar. Procurámos fazer sempre coisas diferentes e criativas e estamos muito satisfeitos com o resultado dos quatro vídeos que já saíram mas esperem mais experiências!

RS: Os Quadra têm uma definição muito própria, que é perceptível nas vossas músicas. Sentem que tem havido uma evolução musical nos vossos lançamentos? Haverá espaço para adoptar mais estilos na vossa música?

Q: Sim, como referimos, anteriormente, temos evoluído para algo mais característico e definido, não o temos medo de fazer seja o que for. Por exemplo este single “Chili” é bem mais virado para a pop que outras músicas que já fizemos, vão adorar o Chili – é uma verdadeira festa, variada e vibrante.

RS: O vosso estilo musical nem sempre é adorado em Portugal. Sentem que o público tem aderido à vossa abordagem e à vossa qualidade?

Q: Muito bem, achamos que já começamos a ser vistos como uma força a ter em conta e procuramos chegar a mais pessoas a cada dia que passa.

RS: Consideram-se uma banda experimentalista?

Q: Inicialmente sim, neste momento temos mais certeza que somos uma banda que concretiza música original criativa e boas canções.

RS: A adição da voz neste último álbum é para continuar? A ideia de ‘projecto instrumental’ é para terminar ou foi apenas uma excepção à regra?

Q: Certamente conhecem Dj’s, produtores, etc. que ao vivo criam bandas para tocar as suas músicas. Nós procuramos fazer o inverso, somos uma banda que não tem medo de produzir música com parcerias. Se a oportunidade for boa vamos avançar sem medo.

RS: Quais são as vossas metas como banda? Querem fazer carreira e viver da música ou é uma ‘realidade impossível’, tendo em conta o mercado em Portugal?

Q: Nem pensamos nisso. Estamos aqui para evoluir a cada dia que passa e fazer musica que gostamos e a divertir-nos durante o processo.

 

Texto e entrevista: João Braga

Edição: Nuno Bernardo

Fotos: Quadra

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