Eram 21h30 quando nós, meros espectadores, tivemos a oportunidade de ver entrar em palco uma lenda viva. Uma senhora que atravessou todas as gerações da música popular e que nos presenteou com duas horas de boa música.

O concerto começou com “Don’t Think Twice, It’s All Right” de Bob Dylan, companheiro de outros tempos e uma das grandes referências da artista, ou não seria esta a primeira de várias faixas que ouviríamos do norte-americano ao longo da noite. Joan Baez trouxe consigo o seu último trabalho, Whistle Down the Wind, um álbum de 2018 que conta com versões de temas de Tom Waits, Josh Ritter e Joe Henry, entre outros, e que se fez ouvir no Coliseu, tendo sido bem recebido pelo público, como todas as faixas tocadas ao longo da noite.

Ouviu-se John Lennon, Simon & Garfunkel, Woodie Guthrie, e muitas outros artistas e temas que fazem parte da história música popular, onde Joan Baez foi sempre um exemplo e um pilar, mostrando sempre um lado muito político e uma grande preocupação social, lutando sempre pela igualdade e pelos direitos humanos. Não foi por isso uma surpresa quando Baez relembrou Barack Obama, «numa altura em que o meu país tinha um presidente», mostrando a sua posição sobre Donald Trump.

Houve ainda tempo para “Grandôla, Vila Morena” uma homenagem portuguesa cantada em uníssono por um Coliseu esgotado e de coração cheio, satisfeitos pelo excelente espectáculo que tinham pela frente.

Além de Joan Baez, tínhamos em palco Dirk Powell, responsável por todo o tipo de instrumento de cordas, o seu filho Gabriel Harris na percussão e a jovem cantora Grace Stumberg, portadora de uma voz fascinante. Os quatro, tiveram uma prestação exemplar como excelentes músicos que são e nós só podemos estar eternamente agradecidos.

Se este foi o último concerto em Portugal não poderíamos ter pedido uma noite melhor do que esta, onde a viagem ao longo de cinco décadas de música foi tão fascinante e bela.

Texto: Gonçalo Cardoso
Fotografia: Nuno Conceição/Everything Is New

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