Quem leu os dois artigos anteriores referentes a 1969 e 1979, reparará que 1989 trouxe uma sonoridade totalmente diferente. Aliás, a década de 80 mudou para bem e para o mal a indústria musical, trazendo o nascimento de novos géneros e revolucionando géneros anteriores, que precisavam de alguma mudança. Este artigo é muito mais metal do que os anteriores, mas é essa a tendência verificada, principalmente no final da década.

Annihilator - Alice in Hell

Alice in Hell é indubitavelmente um dos verdadeiros álbuns de ‘thrash metal’ da década de 80, aliás, a banda fez questão de ser das poucas bandas a tocar o género na fatídica década de 90. É o disco de estreia dos canadianos liderados por Jeff Waters, o grande e eterno ‘frontman’. Continua a ser um dos melhores álbuns da discografia do grupo, com clássicos como a instrumental “Crystal Ann”, “Alison Hell”, “W.T.Y.D.”, “Wicked Mystic”, “Words Salad” e “Ligeia”. Pessoalmente, já ouvi a banda ao vivo e, de facto, este disco nunca deixou de estar nos ouvidos dos fãs, é sempre um dos lançamentos mais requisitados dos Annihilator, no entanto, o seguinte poderá ser o favorito e o grande clássico da banda, mas esse só poderá ser celebrado em 2020.


Coroner - No More Color

Coroner é uma daquelas bandas idílicas que se definem pela sua qualidade musical e pela sempre assegurada sonoridade técnica, apoiada num ‘thrash metal’ muito bem trabalhado e definido. São um dos reis do ‘technical thrash metal’ e uma das poucas lendas da história da música que não precisaram de lançar muitos discos, nem de um forte departamento de marketing, para os ajudar a crescer e eternizar como uma das mais espectaculares bandas de todos os tempos. No More Color é um grande exemplo disso mesmo. Não precisa de grande publicidade para ser uma das grandes malhas do metal, tendo em conta, ainda mais, que foi lançado no virar da década, numa época em que o ‘thrash metal’ convencional era mais adorado e popular. Os Coroner vieram revolucionar a indústria com um estilo e um disco que valoriza os métodos e técnicas mais avançados e mais ‘avant-garde’, com forte pendor para a componente instrumental e com letras bastante inteligentes e contemporâneas.


Marillion - Seasons End

Seasons End foi, em tempos, um daqueles lançamentos dos Marillion que primeiro estranham-se e depois entranham-se. Sobretudo para os fãs acérrimos da banda que, na altura, tiveram de coexistir com uma mudança de vocalista, marcando uma mudança de rumo e até de estilo musical. É o álbum de estreia do comovente e incrível Steve Hogarth, que acabou por se tornar protagonista e um dos grandes responsáveis pelo caminho musical que viria a ser seguido, de forma tão feliz. Nem de propósito, o título do disco pode até ser simbólico do estado da banda, após a partida de Fish e a respectiva substituição por Hogarth. Pode até dizer-se que Hogarth fez esquecer Fish, demarcando uma presença forte e muito emocional, numa banda que fez uma mudança instrumental e conceptual que revolucionou o mundo dos Marillion e que lhes deu uma nova vida. Hogarth entrou para compor e encantar os fãs com músicas como “Berlin”, “Easter”, “After Me” e a quase épica “Seasons End”.


Tears For Fears - The Seeds of Love

É o terceiro álbum de Tears For Fears e, muito provavelmente, o melhor da banda. Já nesta altura, o duo era importante no mundo da música, sendo uma das esperadas e ansiadas pelos fãs. Não acho Tears For Fears uma banda de pop normal, é uma banda de pop progressivo, a roçar um rock técnico e muito bem elaborado. Pessoalmente, é uma das minhas bandas preferidas, tendo criado um estatuto icónico ao longo dos seis discos lançados. Para além disso, The Seeds of Love acabou por se tornar num dos mais simbólicos lançamentos da discografia do duo. É quase irónico que o título do álbum seja “As Sementes do Amor”, mas foi o último disco do duo, antes da separação e da saída de Curt Smith, após problemas entre os dois. Durante mais de uma década, os dois nunca mais lançariam nada juntos, tendo Elemental e Raoul And The Kings Of Spain sido lançados, em 1993 e 1995, apenas com Roland Orzabal. Apenas em 2004, haveria uma reunião que resultou no lançamento de Everybody Loves a Happy Ending, mantendo-se unidos até hoje. The Seeds of Love é um álbum que apaixona e inspira, misturando vários géneros desde o rock, jazz e blues, sendo ainda hoje uma influência para muitas bandas do rock ou pop. É um dos mais bem-sucedidos e vendidos lançamentos da história da música, tendo lançado o grupo para um estatuto lendário e eterno.


Testament - Practice What You Preach

Este é o terceiro disco da colecção dos icónicos Testament. É outro dos grupos que faz parte dos Big Four alternativos aos Big Four originais. Apesar de não ser o melhor álbum da banda, os primórdios do Thrash Metal da Bay Area têm com Practice What You Preach um trabalho que acaba por ser subvalorizado, apesar de ser dos lançamentos mais sérios da discografia, em termos de conceito. Um conjunto de faixas mantêm-se nos reportórios ao vivo da banda e são algumas das faixas favoritas dos fãs. Recebeu boas críticas e, apesar de não ser fantástico, é um excelente fecho para uma década maioritariamente dominada pelo ‘pop’ e a electrónica, e pelo ‘thrash metal’ dos Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax.

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Autor: João Braga

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