Avançamos para 1979, agora com álbuns de géneros mais diversos e não tão focados no rock progressivo, aliás, a década de 70 prima por isso mesmo, a diversidade musical com especial atenção à qualidade. Foi uma década repleta de excelentes bandas e álbuns, e 1979 foi um ano da década com muito daquilo que a década tinha sido. No virar da década, 1980 entra em cena e a música nunca mais seria a mesma…

AC/DC - Highway to Hell

O que há a dizer de um dos maiores hinos ao rock da história da música? Sim, não é um álbum perfeito, no entanto, contém uma das poucas músicas perfeitas do rock, “Highway to Hell”. Mas não apenas desta faixa é composto o disco, existe nele uma raiva jovem que precisa de ser liberta e retirada, nem que seja a ferros. Faixas como “Shot Down In Flames”, “Beating Around The Bush”, “Get It Hot” e a fenomenal “If You Want Blood (You’ve Got It)”, para além de “Girl’s Got Rhythm” fazem deste lançamento um dos grandes produtos finais da banda. É o segundo álbum mais vendido dos AC/DC, para além de estar carregado de simbolismo, é uma autêntica aula de hard rock com riffs e solos intensos, uma bateria estruturante e um Bon Scott cheio de alma e agressividade. Não é fácil encontrar álbuns inovadores na discografia dos AC/DC, no entanto, no início da sua carreira, a banda era de facto inovadora, muito por causa da sua raiva que era exteriorizada por um hard rock lancinante e poderoso.


Foreigner - Head Games

É um dos grandes discos de hard rock da década, continuando a ser uma das referências do género para os fãs do grupo e não só. Os êxitos são muitos, pode dizer-se até que quase todo o álbum é composto por êxitos comerciais, que deram fama a Foreigner. Não acho que seja o melhor disco do grupo, apesar da popularidade do mesmo, no entanto, é claramente o segundo melhor, a seguir a 4, lançado no ano seguinte. Não se pode negar o sucesso da banda até 1987, pelo menos, no que diz respeito a qualidade musical. Todos os álbuns até essa data estão repletos de sucessos e êxitos da rádio que se eternizaram até aos dias de hoje e que continuarão a ser eternos. Celebrar 40 anos na música é, de facto, um feito, sobretudo quando se fala de um disco como este. Ouçam um dos discos de referência do rock e digam de vossa justiça!


Journey - Evolution

Evolution é outro dos álbuns crónicos nas listas de favoritos para o ano de 1979. Marca de forma significativa o rumo para o maior sucesso da banda, Escape – lançado em 1981 – demarcando o género que tanto deu a Journey. Tem a curiosidade de ter sido o primeiro álbum de Steve Smith na bateria, um dos membros fulcrais para o sucesso de 1981. Mais tarde, entra Jonathan Cain para formar aquela que se tornou na grande formação dos Journey, mas isso é outra conversa. É um excelente álbum composto por melodias frenéticas e emocionantes encabeçadas pela lindíssima voz de Steve Perry, que aqui demarca a sua posição na indústria musical – como uma das vozes maiores de todos os tempos – preparando o terreno para o que haveria de ser o auge do grupo americano, que nunca se deixou intimidar pelo sucesso. Evolution foi um dos mais vendidos da década, tendo recebido vários prémios e uma crítica muito favorável desde o lançamento para as lojas. Journey tipifica em Evolution o modelo a seguir, modelo esse que foi seguido na perfeição e que os levou ao sucesso com um dos grandiosos lançamentos do rock, em 1981.


Pink Floyd - The Wall

É outro dos álbuns inevitáveis do rock progressivo, tendo já feito parte da nossa colecção do Fundamentais do Progressivo. Comemora 40 anos desde o seu lançamento, é um álbum conceptual que trata de assuntos como abandono, realidade contemporânea do pós-guerra e o isolamento. The Wall centra-se na história de Pink que tem uma vida de desilusão com a morte do pai na 2ª Guerra Mundial; a protecção doentia da mãe e o casamento falhado contribuíram para a queda emocional e social de Pink e levaram ao seu isolamento da sociedade. A parede (The Wall) é uma metáfora inteligente para o isolamento da personagem.


Thin Lizzy - Black Rose

É o melhor trabalho e um dos mais importantes na discografia dos Thin Lizzy. É claramente um dos mais importantes para o grupo não só a nível pessoal como artístico. Contém o som clássico da banda, que foi principalmente implementado desde Vagabonds of the Western World, com principal destaque para o cavalgante som do baixo de Phil Lynott e as guitarras de Gary Moore e Scott Gorham. O grupo funciona novamente na perfeição com uma solidez que deve ser atribuída à poderosa bateria de Brian Downey e às inteligentes composições de Phil Lynott. Novamente, este é mais álbum que prima pela polivalência musical, à semelhança de quase todos os discos da banda. É um dos mais respeitados álbuns por parte dos fãs e da crítica que considera este como o “último álbum com o clássico som dos Thin Lizzy”.

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Autor: João Braga

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