A noite na cidade invicta apresentava-se fria mas prometia aquecer rapidamente. Os Yob estavam de regresso ao Porto, depois da sua passagem pela edição de 2014 do Amplifest, e traziam consigo os belgas Wiegedood, que estavam também de volta depois de já terem tocado no mesmo festival, um ano depois.

Foi com a pontualidade habitual a que fomos habituados pela Amplificasom que os Wiegedood entraram em palco. A sala 2 do Hard Club já se encontrava composta e, sem tempo a perder, a banda tomou o espaço de assalto. O foco do concerto era De doden hebben het goed III, último álbum, lançado há cerca de seis meses, naquela que foi uma actuação com pouco mais de 45 minutos, tempo suficiente para pelo menos uma passagem pelos três discos do grupo. A promotora descreve-os como “a mais furiosa facção da Church of Ra” e a verdade é que é fácil perceber porquê: um power trio com uma força arrebatadora que tão pouco precisa de baixo para nos fazer sentir a violência de todo o seu espectro sonoro.

 

Muito aconteceu desde a última passagem dos Yob pelo Porto. De forma resumida: Mike Scheidt, o adorado líder da banda, foi diagnosticado com diverticulite aguda em Novembro de 2016, num diagnóstico que levou a uma recuperação demorada e a uma difícil cirurgia que levou o vocalista e guitarrista a ter de reaprender até algumas técnicas de canto. Mas Yob é amor. E o amor cura (quase) tudo.

Foi esta experiência, de quem passa pelo lado mais negro da vida e olha o lado de lá nos olhos, que acabou por nos trazer Our Raw Heart, disco lançado em Junho de 2018 e que a banda se encontra agora a apresentar ao vivo.

Com o último álbum em destaque, os Yob deram início ao concerto numa sucessão de “Ablaze” e “The Screen”, aqueles que são também os dois primeiros temas do disco. Os primeiros momentos de actuação foram o suficiente para perceber que o passado não é mais que isso mesmo, passado, e que a banda (e, sobretudo, Mike Scheidt) está tão forte como sempre. Seguiu-se um regresso atrás no tempo com “Ball of Molten Land” e “The Lie That Is Sin”, dos aclamado The Illusion of Motion (2004) e The Great Cessation (2009), respectivamente. Scheidt parecia especialmente feliz e agradecido por se apresentar frente ao público português (que esgotou o concerto vários dias antes da data) e fez questão de agradecer a todos os seguidores da banda que o apoiaram no último par de anos. “Our Raw Heart”, o tema que dá título ao último álbum não pôde faltar no concerto de cerca de 90 minutos que, ainda assim, conseguiu saber a pouco e na qual houve ainda tempo para “Grasping Air”, cantada com a participação especial de Levy Seynaeve, vocalista e guitarrista da primeira banda da noite. Seguiram-se os primeiros acordes daquela que viria a ser a última música do concerto, “Marrow” – uma épica com quase vinte minutos que fez terminar em alta esta ode à força, à recuperação e, acima de tudo, ao amor. Yob é amor. <3

Texto: Bruno Correia
Fotografia: Daniel Sampaio

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