Após um dia de chuva ininterrupta, foi ao serão que a água parou para dar lugar ao frio. Ainda que a sala se encontrasse pouco preenchida à hora marcada, a fila à porta do Capitólio fazia antecipar a noite de boa música que se viria a revelar. Antes de chegarmos à sala principal fomos convidados a participar numa sessão fotográfica a cargo da Pallidium, cujo resultado foi posteriormente apresentado no decorrer do concerto de Moullinex.

O estilo familiar a que os moços da Discotexas tão bem nos habituaram pouco em comum teve com a Noite das Bruxas que se vivia. Pelo contrário, a sala ficou sim marcada pela decoração sexualizada mas muito bem conseguida, fazendo jus à temática.

Meera, o trio de electrónica, funk e R&B composto por Johnny Abbey, Goldmatique e Cecília Costa, com a sua voz doce e angelical, formam o filho mais novo da família de Moullinex e Xinobi. Com raízes nortenhas e magia nos dedos, desceram are Lisboa para apresentar o seu recente trabalho com os singles “Little of Your Time” e “Fine Without You”, que diz «para nos sentirmos bem na nossa pele». O público, numa diversidade de sexos, estilos e muito amor, aproximou-se da banda para que sentissem o seu calor. Para o fim guardaram uma cover dos NERD, “She Wants To Move”, com luz vermelha de fundo tal como no videoclipe da banda original e, depois, um inconfundível riff de Santana para “Wild Thoughts”.

Iniciando com palavras de “My House”, para Moullinex escutou-se «in the beginning there was Jack» seguindo-se a saída surpreendente de Ghetthoven, convidado especial e já repentente da banda, que surgiu do chão com um telemóvel na mão, como se estivesse a fazer uma vídeochamada, projectada no ecrã principal do palco. Nas suas roupas brilhantes de diva, deixou-nos com a versão de “Maniac”, passando também por “Déja Vu”.

Com dificuldades iniciais nos microfones, Moullinex seguiu tranquilamente o seu espetáculo com “Dream On” e “Take A chance”, com um vídeo que incluía as pessoas fotografadas no início do concerto. Do que já conhecemos, Luís Clara Gomes não deixa por dizer o que incomoda a sociedade – e ao próprio – pelo que não poderia deixar de fora uma música para Bolsonaro, “Undertaker”, com ordem e progresso e uma suástica de fundo. Dedicou ainda “Painting By Numbers” a Alice, filha do Tomé, elemento da banda, que nasceu há pouco tempo e estrearam música nova, sem nome.

Ghetthoven voltou para “Love Love Love”, descendo até ao público e abre a pista dançando com o público em roda e, tratando-se de uma reunião de família para celebrar Hypersex, claro que não poderiam falta “a irmã”; Da Chick e Marta Ren para “Like A Man”. Acompanhando Ghetthoven nas danças, Fritz Helder surge para “Work It Out” enquanto, tal como há um ano no Coliseu, Diogo Sousa, na bateria, mesmo com cãibras conseguiu manter o seu bom nível

A mais aguardada e mais solicitada de sempre, “Take My Pain Away” antecipou a última, a da despedida, com a família toda reunida, para “Familly Affairs”, para a noite prosseguir naquela House of Hypersex montada no Capitólio em noite de bruxas, com competição de Ballroom e DJ sets de HAAi e Xinobi.

Texto: Ana Margarida Dâmaso
Fotografia: Ana Ribeiro

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