Depois de na noite anterior terem actuado em Coimbra naquele que foi o início da sua tour europeia, os Acid Mothers Temple chegaram a Lisboa prontos para continuar a conquistar o público nacional. O Musicbox foi o local escolhido e foi uma casa praticamente cheia que recebeu a banda japonesa à hora prevista. O concerto, assim como a tour, serviu de apresentação a Electric Dream Ecstasy, o mais recente registo discográfico do grupo, e foram mesmo os acordes de “Pink Lady Lemonade (You’re My Orb)”, o segundo tema do álbum, os primeiros a fazerem-se ouvir.

Mas a calma desses acordes durou pouco e o que se seguiu foi uma viagem pautada a incríveis solos de guitarra, linhas de baixo hipnotizantes e uma secção rítmica de cortar a respiração aos quais se junta o sintetizador de Higashi Hiroshi com aquilo que podia bem passar por uma tentativa de seres extraterrestres de comunicar com a Terra. A verdade é que nem sempre é fácil distinguir a setlist mas, sejamos sinceros, essa também pouco importa no momento. Nesta viagem interplanetária não nos sentimos obrigados a saber por onde passamos, queremos apenas aproveitar cada segundo.

Foi já com quase uma hora de concerto, entre experimentalismos dançáveis e um festival de psicadelia arrebatador que Satoshima Nani, o incansável Sensei atrás do kit de bateria, acabou por rasgar a pele da tarola. Nada a temer, contudo, já que uma toalha (ou assim pareceu) e dois pedaços de fita adesiva foram suficientes para que o espetáculo continuasse e o que se seguiu foi mesmo um solo de bateria que serviu para dar início a “Pink Lady Lemonade (Electric Dream Ecstasy)”, a última música do disco que a banda se propôs a apresentar e também a última do concerto, que durou cerca de hora e meia. O grupo japonês seguiu para Braga e o caminho há-de se desenrolar por essa Europa fora. Por cá, resta-nos aguardar pelo seu regresso.

Texto: Bruno Correia

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