Depois de um par de passagens por Portugal, os americanos Low trouxeram o movimento do shoegaze e slowcore mais uma vez ao nosso país, volvidas duas décadas do auge destes movimentos, desta vez com um álbum novo às costas. Com este novo trabalho, Double Negative, os Low apresentam-se com um novo som, completamente próprio e sem o sexteto musical que lhes deu origem há vinte anos.

Criatividade e inovação são factores que fazem parte da identidade desta banda e com os quais estes se apresentaram neste Lisboa ao Vivo com a catarse que lhes é familiar. Sem sacrificar os temas mais quentes e melodiosos, mostraram-nos também o seu lado mais barulhento e inacessível com passagens longas e ondulantes de sons distorcidos e meticulosamente manipulados pelo guitarrista e vocalista Alan Sparhawk cujos vocais melodiosos contrastavam com o ruído por este produzido. Por vezes em uníssono e outras propositadamente desfasados , os vocais da baterista Mimi Parker davam profundidade ao som produzido pelos três elementos da banda encorpado também com os graves do baixista Steve Garrington.

Nesta aventura recente os lendários Low mostraram a sua versatilidade e que são capazes de adaptar o seu som mantendo a originalidade, quer em estúdio quer ao vivo. A performance mostra que estão em forma e que estão prontos para novamente surpreender tanto os ouvintes de duas décadas como os que mais recentemente foram introduzidos à sua sonoridade.

Texto: Ricardo Silva

Fotografia de capa, não correspondente ao concerto reportado, com direitos reservados a Caroline Vandekerckhove e dimly lit stages – Fonte

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