“Em cima do joelho”, mas aí está nova edição do Milhões de Festa. O festival volta-se a instalar no Parque Fluvial de Barcelos de 6 a 9 de Setembro numa edição que rema contra a sua própria tradição – da mudança de datas face às adversidades de planeamento à aposta em nomes de um seio mais performativo, o que importa é que o Milhões de Festa está mesmo cá.

Electric Wizard, um dos nomes maiores da marcante edição de 2010, promete ser um dos nomes que ajudará a redefinir um novo período de tradições «milhionárias». A banda britânica, pilar do doom e do stoner há 25 anos, chega para apresentar o seu mais recente disco, Wizard Bloody Wizard, no Palco Milhões no dia 8 de Setembro. Esse concerto sucede à ressurgência do jazz das terras de sua majestade e uma das forças que a tem motivado, Nuby Garcia. Os Circle, que actuam no dia anterior, fazem a ponte entre estes dois nomes em terrenos que vão do jazz ao krautrock com incursões ao metal e a ambientes mais psicadélicos. E se continuamos a falar de jazz e de sons psicadélicos, os The Heliocentrics equilibram o som exótico e “estranho” de um catálogo discográfico evolutivo.

No campo da electrónica e no seu potencial fértil de autor e de vanguarda, Squarepusher é um dos seus mais ávidos controladores no tráfico de ondas transgressoras e chega em estreia nacional. Os Mouse On Mars enquanto electrónica versátil da Alemanha também forjam uma linguagem musical única, mas é a britânica Elizabeth Bernholz enquanto Gazelle Twin (na foto) que se desmarca na sua abordagem distópica sócio-política de Pastoral, disco que vai lançar no final do mês que irá vislumbrar já em Barcelos. Também com foco posto ao protesto político e ainda ao afrofuturismo, 700 Bliss junta a poesia e spoken word de Moor Mother aos beats de dança da produtora DJ Haram, algo que não deve destoar no campo do mistério febril e do noise hipnótico multidisciplinar de UKAEA, sigla para United Kult of the Animist Endgame Apostles, em puro rasgo de performance. Mas já falamos em fetiche se mencionarmos o regresso de The Bug que, com a companhia da MC israelita Miss Red, tem chegado ao Milhões com recorrência de mútua apreciação.

Nas linhas mais tradicionais o Milhões também não acredita em meias medidas. À cabeça Os Tubarões são um dos nomes definitivos da música cabo-verdiana com importância intergeraciona, mas Lena d’Água aliada a Primeira Dama e com membros do colectivo Xita Records sublinhará o seu estatuto de ícone da música pop-rock nacional obtido desde a década de 80. Scúru Fitchádu, entre o punk sujo e o funaná, tradicional e ao mesmo tempo pouco ortodoxo, tem tomado de assalto vários palcos por esse país fora e repete-o em Barcelos para fazer suar o corpo, algo que o fenómeno de culto do synth punk internacional Grabba Grabba Tape também deve proporcionar momentos insamento dançáveis.

O Milhões de Festa conta este ano com cinco palcos por dia, incluindo a habitual piscina, e também em cartaz estão nomes como DJ Paypal, Warmduscher, The Mauskovic Dance Band, Indignu, WWWater, Bala, entre muitos outros.

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