Aí está a edição número 26 do Vodafone Paredes de Coura, festival que marca a romaria à Praia Fluvial do Tabão junto às águas frias do rio Coura de 15 a 18 de Agosto. São mais de quatro dezenas de concertos em dois palcos no recinto e ainda incluindo as sessões Jazz na Relva, mais perto do campismo, que devem ser bem medidas na hora de optar entre o descanso (se existir) e novo concerto no habitat natural da música.

O festival este ano apresenta um cartaz diversificado que se estende da folk ao grime, passando pelo shoegaze, pelo indie rock ou pela electrónica. Em baixo citamos apenas dez nomes de tantos a ver este ano.

#01 Arcade Fire

Óbvio. Mais do que óbvio, obrigatório. Os Arcade Fire são hoje um dos maiores nomes da indústria musical, especialmente no seio da alternativa pop/rock, mas nem sempre tiveram os holofotes inteiramente apontados. A banda canadiana estreou-se precisamente há treze anos em Portugal neste festival, naquela que é uma das suas mais aclamadas edições, e quem esteve presente teve a certeza que muita tinta iria correr sobre Win Butler, Régine Chassagne e companhia. Quis o destino (e outros factores) que só agora regressassem como uma das melhores bandas ao vivo à sua primeira casa em Portugal e logo no topo do cartaz, como bem merecem, e a fechar em grande esta edição.

#02 Jungle

Noites de verão (se o frio de Coura não aparecer) puxam à dança e Jungle servem isso mesmo. Soul directamente de Londres com falsettos e refrães viciantes, a banda foi originalmente constituída pelo duo Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland mas em palco estende-se a um puzzle de sete peças. Os seus frenéticos espectáculos ao vivo estão de regresso este ano e, a semanas de lançar novo álbum, os Jungle vão poder apresentar no Minho o que aí vem.

#03 Slowdive

Três anos depois do memorável concerto em Paredes de Coura, esta referência do shoegaze volta um festival em que foi feliz. Desta vez não o fazem pelo regresso à estrada, depois de uma longuíssima ausência, mas sim para apresentar o seu primeiro álbum em vinte anos. Slowdive, disco homónimo, destaca temas como “Sugar For The Pill” e “Star Roving” para se juntar a hinos do passado como “Alison”, “When The Sun Hits” ou “Golden Hair”.

#04 …And You Will Know Us By The Trail Of Dead

Que não vos falte rock em Coura. E  esta banda, já com mais de vinte anos de carreira, tem um catálogo com quase uma dezena de álbuns, mas é pelos seus concertos anárquicos que continua a ser reconhecida. Nós avisamos, mas uma pequena correria ao Palco Vodafone FM para os ver devia ser obrigatório.

#05 Lucy Dacus

Da série de cantautoras desta edição do festival, o destaque cai sobre Lucy Dacus. Com uma carreira ainda curta, deu nas vistas com No Burden, de 2016, mas é ao segundo álbum que se dedica a uma assertiva declaração de intenção. Historian deverá contar em algumas listas de final de ano, mas primeiro pode ser visto ao vivo.

#06 Dead Combo com Mark Lanegan

Tó Trips e Pedro Gonçalves são uma dupla de ouro e sabe-se lá quem é que ainda não segue os Dead Combo. Oden Hotel é nova estadia para rock’n’roll, fado, tango, flamenco, música africana e uma orientação western única que os portugueses sabem unificar. Acompanhados por Alexandre Frazão (bateria), Gui (sopros e teclados) e António Quintino (baixo, contrabaixo e guitarras), os Dead Combo vão ainda contar com a participação especial de Mark Lanegan, que dá voz a “I Know, I Alone”, poema de Fernando Pessoa.

#07 Yasmine Hamdan

Paredes de Coura pode ser igualmente um destino paradisíaco e exótico para quem está habituado a ambientes mais urbanos no que toca a festivais. Esse exotismo poderá ser ainda mais enaltecido por um ícone da música underground do Médio Oriente, como é o caso da pop da libanesa Yasmine Hamdan. Al Jamilat é o seu mais recente disco e dá novo folgo à sua voz ligada às tradições da música árabe e às estruturas e arranjos da electrónica, da pop e da folk ocidental.

#08 The Blaze

Que também não falte a electrónica do amanhã. Os The Blaze dos primos Guillaume e Jonathan Alric despontaram em 2017 com o EP de estreia, Territory, e ainda antes de se estrearem em disco já são uma das bandas a seguir de perto. As letras grandes no cartaz do Vodafone Paredes de Coura não são por acaso e o convite à dança é feito com um pé na futurologia, como o festival sabe apostar.

#09 Shame

Também acreditamos que os Shame poderão ser grandes. O post-punk do sul de Londres tem finalmente um disco de estreia, Songs Of Praise, e dele saltam temas viciantes do género para serem entoadas em pubs, clubes e sobretudo em festivais. Forte visão e crítica política e puro espírito punk, os Shame só poderão passar ao lado de um grande futuro se forem britânicos demais para o grande público. A estreia em Portugal será aqui.

#10 Conan Osiris

Com ouvidos postos na diferença, no amanhã ou nas tendências, o festival vai receber Tiago Miranda enquanto uns dos artistas mais celebrados do ano da música nacional. Responde por Conan Osiris e Adoro Bolos já é o seu terceiro disco, mas só agora descarrilou por essa internet fora e o seu universo romântico-trágico de fado, bollywood, hiphop, metal ou às vezes tarraxo encontra-se finalmente com o circuito dos maiores festivais da música alternativa.

Entre outros confirmados para esta edição do Vodafone Paredes de Coura estão nomes como Skepta, King Gizzard & The Lizard Wizard, Fleet Foxes, Japanese Breakfast, Frankie Cosmos, DIIV, Big Thief, Pussy Riot ou Confidence Man, citando apenas alguns. O cartaz completo com horários pode ser consultado, aqui.

Autor: Nuno Bernardo

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