A segunda noite do ciclo de concertos duplos de música clássica moderna promovido pela promotora Uguru deu-se na passada quinta-feira, 24 de Maio, no Teatro Tivoli BBVA. Depois de Rodrigo Leão e Hauschka, e antes de Rui Massena e Peter Sandberg, esta noite coube à dupla Peter Broderick e Federico Albanese dar as prometidas “Classic Waves” ao centro de Lisboa.

A primeira parte desta noite esteve a cargo do músico italiano, Federico Albanese, que se sentou em frente do piano de cauda e aplicou os seus dígitos nas teclas do mesmo, mostrando-nos em forma de ondas sonoras o que poderia ser representado em fotogramas de um filme, em expressões, em paisagens mas não em palavras. A sua sonoridade cinematográfica de constante mutação de personalidade e repleta de duradouras repetições rítmicas, feitas de notas sob as quais melodias doces se revelam perante a passagem do tempo, é pontuada por pequenas aproximações. Pequenas aproximações do que seria um clímax de intensidade apenas para voltar à subtileza de pequenas notas sozinhas que evocativas de uma calma melancolia.

No fim desta pequena viagem Federico falou sobre como conheceu Peter Broderick num festival em que ambos actuaram. Utilizando palavras como «puro artista» e «excelente pessoa» descreveu o seu sucessor e tentou explicar o significado dessas palavras através de outras.

Se tinham caído imperceptíveis as palavras de Federico, com a entrada em palco do multi-instrumentista norte-americano tornaram-se perfeitamente visíveis. Broderick parece compor e interpretar música como se da sua língua nativa se tratasse – tudo parece surgir tão naturalmente quer na guitarra, piano, violino ou voz, gerando-se uma atmosfera cativante que nos prende não só à música, mas também ao músico que a interpreta. Assim tem pautado a sua discografia, como no mais recente trabalho All Together Again, aqui apresentado. Nas constantes mudanças perfeitas de instrumentos e na fluente comunicação entre artista e público somos levados numa viagem musical que nos leva desde peças abstractas em piano até covers acessíveis de músicos icónicos e músicas que Peter aprendeu em bares irlandeses.

Texto: Ricardo Silva

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