Há dias propusemo-nos a deslindar o extenso cartaz do NOS Primavera Sound 2018 por dias. Já sabendo que nos dias 7, 8 e 9 de Junho o Parque da Cidade do Porto vai estar cheio (passes esgotados, bilhetes diários ainda disponíveis), resta-nos agora antecipar o festival.

Mais uma vez não nos desafiamos a criar um roteiro, mas não deixamos de olhar o cartaz diário e destacar cinco concertos que valem o selo de obrigatórios pelos motivos descritos abaixo. Desta vez sobre o segundo dia do festival, 8 de Junho, sexta-feira. A antecipação ao primeiro dia pode ser consultada, aqui.

#01 Fever Ray

Karin Dreijer não é só uma das metades dos The Knife. Fora de acção da sua banda, Karin volta-se a dedicar a um projecto a solo que iniciou em 2009 enquanto Fever Ray, com um disco homónimo bastante aclamado. O seu sucessor, Plunge, só chegou no ano passado, mas Fever Ray expandiu-se para uma arma sónica mais sintética e diversificada em contraste com a electrónica glaciar da estreia. Dinâmica abrasiva e um espectáculo que promete marcar pela sua iconografia sexual e política.

#02 Vince Staples

O headliner assumido do segundo dia do festival é A$AP Rocky, mas o hiphop de Vince Staples é diferente. Não tem os mesmos luxos nem o poder explosivo de Rocky, mas tem a selvajaria ritmática que o põe a desafiar a pop vanguardista, o techno e o house num só disco, Big Fish Theory. Mas já era suficientemente inquietante em Summertime ’06, anterior disco, e Portugal abraça finalmente a estreia de outro talento bruto das rimas e batidas.

#03 Thundercat

E se falamos de talentos brutos é quase impossível não mencionar o nome de Thundercat. Tem nome de super-herói e não é porque carrega uma capa às suas costas, mas sim porque é um virtuoso ímpar do baixo nascido do jazz. O groove de Stephen Bruner já se presenteou no jazz de Kamasi Washington, no hiphop de Kendrick Lamar, no funk de Childish Gambino, na soul de Erykah Badu, no crossover thrash de Suicidal Tendencies e na electrónica de Flying Lotus. E depois do excelente Drunk, sabemos que há aqui algum super poder.

#04 IDLES

E o antídoto que faz falta em qualquer festival tem de chegar de forma brutal. O quinteto IDLES é remédio forte para o entusiasmo, devoção e caos do pós-punk, do garage rock ou do que quiserem chamar ao furacão de Brutalism. Quando for preciso trocar a batida pela imprevisibilidade do garage, foi porque leram aqui primeiro.

#05 Ibeyi

As gémeas Lisa-Kaindé e Naomi Diaz (na foto) são francesas com origens em Cuba e Venezuela e que nos cantam em inglês, francês, espanhol e yoruba. Mais global só mesmo a sua musicalidade afro-latina, de adornos electrónicos elegantes sobre uma enorme manta de soul e jazz. Já o assim era no disco de estreia, mas o sucessor Ash, editado no ano passado, não se encolhe na hora de as mostrar mais ambiciosas e menos conformistas.

De fora das nossas cinco recomendações mas não menos importantes, o 8 de Junho do NOS Primavera Sound preenche-se ainda com The Breeders, Grizzly Bear, Four Tet, Unknown Mortal Orchestra, Floating Points, Amen Dunes, Helena Hauff, Superorganism, Zeal & Ardor e, claro, o headliner A$AP Rocky, entre outros.

Autor: Nuno Bernardo

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