Algures entre Tony Carreira e Madlib e nem porco nem marisco, estes Conjunto Corona penetraram os meandros da música portuguesa a partir de um apartamento em Vila Nova de Gaia, quiçá o conjunto musical mais português a surgir nos últimos tempos, armados do seu charme português, do seu refrescante improviso DIY psicadélico e de hidromel no bar de canto dos nossos corações. Levado a sério em igual medida em que é levado na brincadeira, este pode ser um projecto desafiante para alguns. Porém, se se depararem com algum indivíduo descrente no potencial deste conjunto, comprem-lhes um ingresso para uma destas festas. Sim, mais do que um concerto, trata-se de uma celebração de tudo o que é português, tosco e exclusivamente nosso.

No mesmo espaço em que o seu último álbum estreou, o Musicbox é já a segunda casa em Lisboa dos Gaienses e foi a escolhida dois anos depois, mas desta vez para a despedida ao grande Cimo de Vila Cantina Velvet, palco de uma das muitas aventuras do Corona.

Nesta festa a desbunda foi adornada com crowdsurfing, a performance impecável do icónico Homem do Robe, refrães entoados em uníssono entre o público e os incansáveis Kron Silva e Edgar. Foram percorridos os principais temas do álbum em despedida, mas não foram deixados em casa os êxitos do seu curto repertório como “Pacotes”, “Pontapé nas Costas” e “Já Não És o Meu Dealer”. Para grande surpresa e gratidão dos integrantes do Conjunto Corona, os seus fãs foram «demasiado gentis» e encheram o Musicbox mesmo dois anos após a estreia do álbum em causa. Depois de um concerto de encher o bucho, resta apenas a vontade de descobrir qual a próxima aventura do Corona após ter aberto o seu estabelecimento em Cimo de Vila. Seja qual for a aventura uma coisa é certa cá estaremos para receber toda a glória e sabedoria que terá para oferecer.

Texto: Ricardo Silva

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