Desde o inicio desta década que tem havido um revivalismo dos anos 80. Seja na emulação do espírito sonoro de séries como Miami Vice ou dos arcade games que preenchiam, e ainda preenchem, os salões de vídeo jogos espalhados por esse mundo fora, o synthwave tem vindo a receber uma onda de popularidade cada vez maior desde a sua criação. Artistas como Perturbator e Carpenter Brut utilizam sintetizadores analógicos e baterias digitais para recriarem elementos audiovisuais que nos relembram de clássicos cinematográficos como Blade Runner e Terminator.

GosT, por outro lado, tem outras coisas em mente. Mais virado para o factor terror dos filmes slasher e a revitalização do satanismo através de rituais e escândalos de abusos sexuais que surgiu nos tempos em que Ronald Reagan era presidente, o músico norte-americano aplica um tom mais negro e obscuro ao seu synthwave, um contraste ao habitual som calorento e, por vezes, paradisíaco de um Dan Terminus. É algo logo evidenciado na faixa de abertura, e também faixa-título, deste seu novo longa-duração, Possessor. Editado no passado dia 23 deste mês pela Blood Music, uma das editoras que mais tem contribuído na popularização do género mais retro da música electrónica, Possessor no seu todo é como um golpe violento na nuca que nos deixa inconsciente, mas que nos traz de volta vezes sem conta, repetindo o processo até à exaustão. Mas é precisamente ai que reside o maior problema deste álbum: a repetição. A ênfase no uso de batidas demasiado semelhantes e vozes gritantes sacrifica a criação de uma atmosfera envolvente e distinta, algo em que o músico norte-americano brilhara em registos anteriores e que neste deixa quase totalmente de parte. Talvez à excepção de “Sigil” e “Mallum”, onde GosT visita o seu lado mais gótico e provocador, este novo registo revela-se como sendo previsível e um tanto aborrecido.

No geral, Possessor é um álbum mais caótico e violento que os seus antecessores mas talvez por essa mesma razão, acaba por ficar aquém das expectativas, caindo na sombra de outras entregas mais brilhantes de GosT, como o massivo Behemoth ou o EP Nocturnal Shift. Fica apenas o desejo que a sua prestação ao vivo na já muito próxima 21ª edição do SWR Barroselas Metalfest não fique manchada por este pequeno percalço.

Autor: Filipe Silva

Desde o inicio desta década que tem havido um revivalismo dos anos 80. Seja na emulação do espírito sonoro de séries como Miami Vice ou dos arcade games que preenchiam, e ainda preenchem, os salões de vídeo jogos espalhados por esse mundo fora, o synthwave tem vindo a receber uma onda de popularidade cada vez maior desde a sua criação. Artistas como Perturbator e Carpenter Brut utilizam sintetizadores analógicos e baterias digitais para recriarem elementos audiovisuais que nos relembram de clássicos cinematográficos como Blade Runner e Terminator. GosT, por outro lado, tem outras coisas em mente. Mais virado para o…

Álbum. Blood Music. 23 Março 2018

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-

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