O projecto foi formado em 2008 no Texas por Greg Gonzalez, senhor da tal voz, tão característica. Essa inocente experiência, que teve o lançamento do EP I. como ponto de partida, foi ganhando a pouco e pouco, single a single , do Texas para Nova Iorque, um estatuto de banda de culto – potenciado pelo fenómeno publicitário Youtubístico e todo um certo misticismo que sempre envolveu os “Cigarros Após O Coito” (desde a obrigatoriedade de fotografar a preto-e-branco nos concertos deles ao low profile crónico do seu percurso).

Por terras tripeiras, era imensa a ânsia de os ver ao vivo (com o privilégio de ter cores incluídas no pacote, embora haja actuações televisivas e na rádio onde não se cumpriu a tradição). Afinal de contas, os bilhetes esgotaram cerca de um mês antes da actuação! A maior sala do Hard Club estava apinhada, com um público bem menos jovem do que se poderia esperar – a meia-idade claramente reinava. Havia uma neblina no ar, que parecia ameaçar manter o mistério “Mas afinal quem é que estes gajos são ao certo?”…

Primeiro surgiram umas projecções animadas, nas quais se via neve a cair numa cidade sombria… depois surgiram os quatro músicos da formação actual e mal começaram a tocar ouviu-se um shhhhhhhhhhh desde a primeira fila até aos mais atrasados lá de trás. Note-se que o concerto foi de uma pontualidade texana (o que pelos vistos é bom, compete com a britânica)! A audiência deixou-se de imediato envolver pela atmosfera de melancolia com o seu quê de a la Tindersticks e, inclusive, havia muitos apaixonados por toda a parte – creio que daqui a nove meses nascerá mais uma fornada de Fumadores d’après.

A neblina, entretanto, foi-se dissipando, mostrando finalmente com nitidez as feições daqueles que desde há já alguns anos nos têm vindo subtilmente a encantar. A “Affection” foi claramente das músicas mais aplaudidas; mas também “Apocalypse” fez furor mal foi anunciada, talvez por ser a música que mais se destaca no único álbum da banda, homónimo, lançado este ano. O concerto foi de uma hora quase certinha e, após uma vaga de aplausos e assobios de entusiasmo, regressaram para um encore que nos trouxe aos ouvidos mais duas músicas, matando a preocupação de um regresso a casa sem ter ouvido a “Please Don’t Cry”.

Houve ainda tempo para um Meet and Greet no Café au Lait, onde se trocaram agradecimentos e autógrafos. No fundo a questão (“Mas afinal quem é que estes gajos são certo?”) mantém-se, porém, agora todos aqueles que partilharam este momento recordarão um sentimento de coração cheio de cada vez que ela se levante novamente…

Texto: Bernardo Guerra Machado

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