Lisboa preparava-se para receber dois dos grandes nomes da música da atualidade: Natalie Mering e Josh Tillman, uns tais de Weyes Blood e Father John Misty, respectivamente, para os menos curiosos.

Com uma arena quase lotada, os primeiros acordes soaram para uma voz feminina tranquila e inigualável tão bem conjugada com os ritmos da soft-pop-psicadélica, numa noite de inverno desta magnífica capital. Weyes Blood procurou por um “Gladiator”, mas tal cenário apenas nos poderia remeter para uma das mais belas guerras presenciadas – a luta pelo acorde mais arrepiante sentido a cada batida.

Tendo pisado já o chão do mais famoso aquário musical da capital – o da Galeria Zé dos Bois -, chega-nos com as suas histórias mergulhadas nos seus cânticos, transportando a cada onda palavras de amor e de incentivo geracional, apoiando-se nas suas letras como a de “Generation Why” em que, como bem referiu, seriam necessários pelo menos uns 25 minutos para explicar o estado de sitio em que vivemos hoje em dia.

Terminou em beleza, tal como os seus dois meses de digressão, com um dos seus maiores e mais recentes sucessos, “Do You Need My Love” e, claro que sim, Natalie, Portugal espera-te.

Na segunda parte de uma noite tão musicalmente enriquecida, o palco foi mais tarde preenchido pelo irónico estilo americano na apresentação de Pure Comedy pelo já conhecido galante do público português Father John Misty. Com o Coliseu a esta hora já lotado, banda e artista foi recebidos com um aplauso mesmo antes da música soar. No seu jeito sempre elegante e meio gingão, apresentava atrás de si um ecrã em preto onde desfilavam figuras desenhadas e pinturas de montanhas, que desvendavam ao longo da actuação um mundo que vai girando sem parar. Ao ritmo de faixas mais recentes como “Ballad Of The Dying Man” e das mais antigas e com maior adesão “Nancy From Now On” ou “Chateau Lobby #4 (In C for Two Virgins)”, ia saltando com poucas palavras pelo meio, algo não usual nos festivais por onde passou no nosso pais, e que se reparou trazer apenas para o seu concerto em nome próprio.

Em “Strange Encounter” puxou ao seu lado mais irreverente e sensual, passando a mão pelo cabelo e pendurando a guitarra atrás das costas, como uma companheira de longa data. Em “Nothing Good Ever Happens At The Goddamn Thirsty Crow” chegamos sem dúvida a uma fase mais calma da sessão, como se estivéssemos a assistir a um show típico de um bar norte-americano. De joelhos envolve-se nos ritmos, cambaleante na sua própria música, como se embriagado nas suas palavras estivesse. Com aplausos ritmados em “True Affection”, dança com um coração desenhado por detrás, no seu cenário, aproveitando os sentimentos dos ouvintes para “The Night Josh Tillman Came To Our Apartment”, na qual a projecção de vídeo remete para uma imagem duplicada do self num bar, com aplausos à aparição de um beijo entre dois homens num bar. Joga-se à tradicional “Bored In The USA”, desta vez apenas a piano e voz, ironizando a educação e todo o sistema que se vive na América.

Deixou a melosa “Honeybear” para antes do encore, aproximou-se do público, abraçou-o e deixou-o tocar na sua barba, referindo «I have the best crew in the world» e aproveitando a deixa para cantar num tom calmo e com acordes simples a “Real Love Baby”, congratulando os presentes – «such a beautiful audience, thank you». Disse-nos adeus com “Holy Shit” numa explosão instrumental e após “The Ideal Husband” desapareceu por detrás do cenário.

Texto: Ana Margarida Dâmaso
Fotografia: Everything Is New

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