O Vodafone Mexefest está a chegar e a Avenida da Liberdade já aquece com os amplificadores espalhados pelas várias salas preparadas para receber, mais uma vez, a actualidade e o futuro das “novas grandes cenas” da música alternativa (e não só).

Tornou-se um hábito saudável o de receber no festival música dos mais variados géneros: há indie, sim, mas também há rock, electrónica, hiphop, fado, pop e música tradicional. Mas sobretudo, há a vontade de fazer chegar a música a alguns sítios menos comuns na coração da cidade de Lisboa.

Antevendo então o que irá acontecer nesta edição do Vodafone Mexefest, nos dias 24 e 25 de Novembro, temos disponível o programa completo com horários na nossa página alusiva, aqui. Ainda assim, deixamos dez recomendações para incluir nos planos, caso ainda exista alguma hesitação em escolher entre sobreposições:

Aldous Harding

A neozelandesa assume-se como autora de gothic folk, mas é na iluminação dos seus acordes que sobrevivem as suas canções de Party, disco que lançou recentemente pela 4AD e que já foi seleccionado como álbum do ano para a Rough Trade. Ao segundo álbum Harding já soma colaborações com Marlon Williams, John Parish e Mike Hadreas e chega ao Vodafone Mexefest no momento “certo”, antes que precise de um palco ainda maior que o do Cinema São Jorge.

 

Conjunto Corona

O hiphop tornou-se, há um par de anos para cá, um género com palco garantido no festival, com apostas tanto na velha escola como nos novos talentos, seja os de cá ou os de “lá”. Este ano há CJ Fly (Pro Era), Valete ou Allen Halloween no cartaz, mas um dos destaques vai para o singular Conjunto Corona: travo de língua afiada, beats baseados em rock dos anos 70 e uma consideração enorme pela gentileza do público que não se importa de gritar «Gondomar» em Lisboa. Resta o hidromel e o ícone que se tornou o Homem do Robe.

 

Destroyer

Após o cancelamento de Jessie Ware, que surgia no topo do cartaz deste Mexefest, são os Destroyer de Dan Bejar que assumem a sua vaga deixada no Coliseu dos Recreios. Saltam do Cinema São Jorge para a sala maior do festival e arrastam consigo as canções de ken, editado este ano e tão aclamado como os antecessores Poison Season (2015) ou Kaputt (2011). No currículo, somados, estão já mais de vinte anos de letras abstractas e poéticas aliadas à voz idiossincrática de Bejar.

 

Ermo

António Costa e Bernardo Barbosa são, neste momento, um dos duos mais falados da música portuguesa. A juntar ao novo álbum Lo-Fi Moda soma-se uma dinâmica de palco estudada da luz à indumentária, com a coordenação e a linguagem corporal dos bracarenses a serem também pontos a assinalar. Andam neste momento na estrada pelo país fora com Killimanjaro (que também actuam no festival) e The Parkinsons, mas não deixam de ser um dos concertos a ter em conta nesta edição pela oportunidade que é de ouvir ao vivo uma das ofertas mais interessantes deste ano.

 

IAMDDB

Motivada pelo som fervilhante de Manchester, Diana De Brito alia o jazz ao trap, fazendo escala nas suas raízes portuguesas e angolanas. O seu jazz urbano, como lhe chama, já leva três EPs registados, sendo o mais recente intitulado Hoodrich, Vol. 3. Confirmado o estatuto de uma das vozes mais conscientes da música nova, IAMDDB junta as suas referências de Jimmy Dludlu e Lianne La Havas para se tornar num dos talentos a seguir de perto nos próximos tempos.

 

Iguana Garcia

A jornada de Iguana Garcia parece que ainda agora começou, mas Cabaret Aleatório, disco de estreia, é o culminar de vários anos a desafiar o rock dos trópicos com o psicadelismo dançante. Depois dos The Kafkas lançou-se a solo e no ano passado até participou no concurso para actuar no Vodafone Mexefest. A atenção que lhe faltou foi reposta por um contacto para gravar o álbum no HAUS e chega finalmente ao festival para confirmar em palco que é um dos mais entusiasmantes novos talentos da música alternativa portuguesa. Há um mês entrevistámo-lo e essa conversa pode ser recordada, aqui.

 

Julia Holter

Um dos nomes mais aclamados pelo público e pela crítica dos últimos anos, Julia Holter regressa a Lisboa quatro anos depois para actuar a solo ao piano, ainda que com o convidado especial Tashi Wada. A sua voz delicada promete preencher o Teatro Tivoli BBVA e as suas mãos despir alguns temas mais cobertos dos excelentes Have You In My Wilderness ou Loud City Song. Lançou este ano uma compilação, In The Same Room, onde junta temas destes dois álbuns gravados ao vivo em estúdio e que nos aproxima daquilo que é Julia em palco.

 

Liars

De banda a projecto de um homem só, Angus Andrew é agora só ele Liars. TFCF, editado neste 2017, é o testemunho de um músico irrequieto e que parece não apreciar as fronteiras da criatividade, álbum após álbum. A nova fase destes Liars, ainda assim, não dispensa o legado que construiram entre o post-punk e a electrónica em trabalhos como Sisterworld e Drum’s Not Dead.

 

Songhoy Blues

Poucas bandas têm uma história tão forte como os Songhoy Blues. Depois de terem fugido do norte do Mali devido à violência exercida por fundamentalistas islâmicos, a capital Bamako foi o ponto de partida para uma fusão de blues, funk e rock’n’roll do deserto. Depois do disco de estreia Music In Exile, o quarteto arrisca em Résistance novos ritmos quentes, incluindo ainda o reggae e o hiphop. O concerto ideal para aquecer numa noite fria de Novembro.

 

Washed Out

A música de Ernest Greene já não é uma novidade tão grande quando comparada com muitos nomes incluídos no cartaz, mas de investidas como Within Without e Paracosms reza uma boa aliança entre a electrónica, a dream pop e o chillwave. Neste ano lançou Mister Mellow, registo em que o norte-americano procura novos caminhos algures entre os trópicos e as pistas de dança.

 

Autor: Nuno Bernardo

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