«How many years has it been? Twelve? Fifteen?» – pergunta-nos Jacoby Shaddix, pouco depois do concerto começar. É verdade, já lá iam quinze anos desde que os norte-americanos Papa Roach estiveram em Portugal, e o aguardado retorno, no passado dia 17 de Outubro, deu-se exactamente na mesma casa que os acolheu pela última vez, o Coliseu de Lisboa.

A escolha da banda de abertura foi um tanto inusitada. Também eles norte-americanos, os Ho99o9 (leia-se Horror) passaram em Portugal nesta última edição do Paredes de Coura, um ano depois da estreia no Milhões de Festa. Os dois rappers, TheOGM e Eaddy, entraram em palco pontualmente pelas 20h e fizeram-se acompanhar de um jovem entusiasta baterista, que se mostrou incansável durante toda a actuação – apesar dos pesares – que até fazia crer que tocar bateria era tarefa fácil. Mas a actuação não parecia impressionar o público, que na sua maioria permanecia impávido e sereno, onde nem as batidas mais fortes fizeram despertar o mais pequeno mosh. E não foi pela falta de esforço do trio, que tudo fez para puxar pela audiência, mas esta comunhão do hip-hop com o hardcore não pareceu abalar os presentes. United States of Ho99o9, o álbum que nos vieram apresentar, dava uma boa premissa para uma noite de Halloween, mas ali apenas resultou em pouco mais de 40 minutos fracassados em tentativas de cativar um público que estava ali só para marcar lugar.

Findada a actuação, cai o pano – literalmente – com a imagem de uns dentes em fundo preto, imagem de alusão à digressão “Crooked Teeth”, a esconder a frente de palco. Seguiram-se uns longos minutos de espera e eram já 21h20 quando as luzes se apagaram por fim e o som “Simon Says”, do rapper Pharoahe Monch, ecoou pela sala.

Crooked Teeth, do álbum homónimo, é o tema que traz a banda a palco, e demove logo um enorme mosh pelo recinto. Seguiram-se “Getting Away With Murder”, do álbum de 2004 lovehatetragedy e “Between the Angels and Insects”, do aclamado Infest, álbum que os deu a conhecer ao mundo em 2000. Estes foram os primeiros dos muitos clássicos tocados nessa noite e que acompanharam toda uma geração – como a minha – a qual se mostrou bem representada, resultando num público bastante heterogéneo, o que demonstra que os Papa Roach, apesar de não esgotarem salas nacionais, continuam a reinventar-se e a conquistar os públicos mais jovens.

É inegável que os clássicos despoletavam sempre uma subida a pique da energia, não obstante, os temas mais recentes que se seguiram como “Face Everyting and Rise” e “Born for Greatness”, não deixaram de fazer levantar pó no recinto. “She Loves me Not” faz a ponte para a parte mais calma da noite onde os temas “Scars”, “Periscope” e “Gravity” apelaram ao lado mais sensível, com coros em uníssono.

Nos intervalos entre canções os fãs não deixavam de gritar “Papa Roach”, ao qual a banda retribuiu com uma pequena jam. “Song 2” dos Blur surpreende-nos de seguida, metendo instantaneamente o público aos pulos. Não seria a única cover da noite, mas já lá vamos. Antes disso Jacoby ainda conseguiu pôr todos de cócoras, mesmo os mais resistentes, para saltarem ao som de “Traumatic”. “Forever”, que se seguiu, teve o refrão da “In The End” dos Linkin Park muito bem introduzida no fim, em homenagem ao recém-falecido Chester Bennington. Logo depois “Blood Brothers”, que Jacoby dedicou igualmente a Chester, fez igualmente o delírio dos fãs.

A terminar a primeira parte do concerto tivemos “Help”, um dos singles mais conhecidos do recente trabalho do grupo, e que parecia já estar bem na ponta da língua pela maioria. O encore foi feito ainda ao som do novo álbum com ”None Of The Above”, seguido pela poderosíssima “Dead Cell” com um pequeno trecho da “Thrown Away”, mas sem dúvida que um dos melhores momentos foi ao soar das palavras chave – «Cut my life into pieces, this is my last resort!».

Foi uma noite repleta muito suor, não fossem os walls of death abertos por diversas vezes na sala, e ainda as diversas surpresas, como o Jacoby na “Last Resort” a sobressair por entre o público com umas orelhas de coelho cor-de-rosa.”… To Be Loved” encerrou a noite, ainda com um enorme circle pit a pedido de Jacoby, colmatando assim uma noite que ainda nos deixou com sede por “só mais uma”.

Texto: Rute Pascoal
Fotografia: Everything Is New

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