O OUT.FEST – Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro parte esta semana para mais uma edição que se auto-desafia. A cidade da Margem Sul acolhe um dos mais únicos festivais da Europa que se espalha entre espaços e ocupa brechas de som e luz, estendendo os limites virtuais da música experimental, do jazz, do noise e do cosmos sensorial que propõe todos os anos.

De 4 a 7 de Outubro deste 2017 o OUT.FEST volta a adoptar um palco diferente por dia. No dia inaugural há uma colaboração de Jonathan Uliel Saldanha, Coral TAB e Coro Be Voice numa adaptação singular espaço-temporal da Igreja de Santa Maria – um conjunto coral de mais de 50 cabeças e dirigido pelo Maestro Manuel Gonçalves que será idealizado e recomposto à realidade moderna e industrial das produções institucionais de Saldanha.

Já na quinta-feira, dia 5, o festival regressa a uma casa que adoptou recentemente. O Museu Industrial da Baía da Tejo vai receber a métrica eléctrica do jazz do Quarteto Sei Miguel para iniciar uma noite de texturas maquinadas da italiana Caterina Barbieri e de compassos modernistas/pós-modernistas do norte-americano Charlemagne Palestine, uma das figuras basilares a juntar a música com as artes plásticas vanguardistas das últimas 4 ou 5 décadas.

O Auditório Municipal Augusto Cabrita acolhe o terceiro de quatro dias. À Casa Futuro luso-sueca do trio de jazz Pedro Sousa, Johan Berthling e Gabriel Ferrandini soma-se a nomenclatura actual da criação de David Thomas, fundador e visão essencial de Pere Ubu. Moon Unit é face lunar de nervo e violência construtiva e perdura na demanda da personificação dos infinitos paradoxos da sociedade americana. A fechar a noite para tomar os graves da canção atómica estará Lolina, a russa que melhor reconhecemos como Inga Copeland e que em tempos foi metade de Hype Williams.

Como tem sido habitual desde 2015, a estética experimental da ADAO – Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios tornou-se a residência perfeita para a tradução visual do espectro sonoro que atravessa as várias salas deste antigo quartel de bombeiros. O derradeiro 7 de Outubro oferece a sua característica maratona para encontrar diversas militâncias analógicas e digitais, desde Simon Crab a Nocturnal Emissions ou Jejuno, até à desconstrução instrumental nas medidas possíveis de Putas Bêbadas ou da referência que é o revival de This Heat, ou seja, This Is Not This Heat. O espaço para o fôlego jazz vai para Alex Zhang Hungtai, David Maranha e Gabriel Ferrandini, o histórico de trauma auto-infligido grita por Black Dice, há ataque sónico sci-fi mais do que prescrito com Gyur e Colectivo Vandalismo e a dose techno e dance fica dividida entre Bookworms, DJ Problemas e DJ Nigga Fox.

Tudo pronto. Resta o silêncio. Silêncio, que se vai explorar o OUT.FEST.

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