É o regresso de uma banda que já fez parte do nosso Fundamentais do Progressivo, é curiosamente uma banda que anunciou o fim da carreira para este ano, com uma participação única em 2018. A banda canadiana chega ao fim, após 40 anos de uma carreira cheia de bons e excelentes álbuns, e um ou outro menos bom. Esta é a dedicatória da RS à banda que, infelizmente, não teve o impacto comercial que devia em muitos países.

Saga – 1995 – Generation 13

A reviravolta musical acontece neste álbum, lançado em 1995. A meio dos anos 90, o grunge e o metal alternativo dominavam o mundo da música. No final dos anos 80, os Saga decidiram mudar o seu som para algo mais amigo da rádio, com um rock mais pop. Tal mudança perdurou até 1995, quando a banda decidiu criar este extraordinário álbum conceptual, voltando às suas raízes do rock progressivo.

Lista de faixas para Generation 13:

01. Changes Are #1
02. Generation 13 (Theme #1)
03. All Will Change (Goodbye And Good Luck)
04. The Cross (Home #3)
05. Danger Whistle
06. Leave Her Alone
07. I’ll Never Be Like You #1
08. My Name Is Sam (Finding A Friend)
09. The 13th Generation
10. The Cross
11. The Learning Tree
12. I’ll Never Be Like You (Once Again)
13. Snake Oil
14. We Hope You’re Feeling Better (The Test)
15. My Name Is Sam (Your Time Is Up)
16. Generation 13 (Theme #2)
17. Where Are You Now?
18. Screw Em
19. No Strings Attached
20. All Will Change (It’s Happening To Me)
21. The Victim
22. One Small Step
23. Sam’s New Friend
24. We Hope You’re Feeling Better
25. Changes Are #2

Generation 13 é o melhor álbum desde Worlds Apart, conseguindo ser um dos melhores discos alguma vez escritos do género. O conceito centra-se em Sam, um marginal, e as suas aventuras e desventuras. O álbum nunca pára, mantendo transições instrumentais ou vocais entre faixas. Globalmente, funciona melhor, no entanto tem grandes músicas individuais que pintam um quadro ainda mais favorável. A história está muito bem estruturada e concebida, baseando-se no livro, “13th Gen: Abort, Retry, Ignore, Fail?” de Neil Howe e Bill Strauss. As personagens são muito bem descritas e representadas, contribuindo largamente para o avanço da história, com personagens importantes como “Jeremy”, “Morty” ou “Sam’s New Friend”. Os efeitos sonoros também são uma surpresa, contribuindo para a criação da atmosfera correcta e para o lado mais misterioso e tecnológico do disco. Em termos de letra, a banda conseguiu aqui o seu melhor trabalho, provavelmente, escapando aos temas habituais, principalmente dominantes da década de 80; o grande objectivo é transmitir o lado negro de “Sam”, passando em revista os problemas sociais das personagens. Igualmente de referir, o lado mais experimental que o grupo conseguiu aqui imprimir, nunca deixando de lado a importância da produção para um álbum deste género, obtendo a sua melhor produção discográfica neste Generation 13.

O álbum é quase perfeito, dar-lhe-ia um 9,5/10, tendo em conta a importância que teve na discografia, mas também pela qualidade instrumental e lírica de um disco que foi uma verdadeira mudança musical, para o grupo, regressando às raízes. Generation 13 consegue fazer-nos pensar e reflectir, criando uma ligação – diria até uma relação – entre o ouvinte e as 25 faixas de puro génio. Os temas principais são oportunidade, esperança, falhanço e vida. A composição, trabalho e dinâmica de grupo atinge um patamar totalmente diferente, elevando a faísca para futuros álbuns. É um dos melhores discos de todos os tempos e fica muito perto daquele que é o melhor álbum conceptual de sempre, na minha opinião, The Lamb Lies Down on Broadway dos Genesis. É um dos mais fantásticos trabalhos musicais, devolvendo a alma ao rock progressivo, algo que os anos 90 ajudou a eliminar.

Autor: João Braga

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