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Vai um mergulho no 10º Milhões de Festa?

A uma semana do Milhões de Festa regressar ao Parque Fluvial de Barcelos, passamos a pente de marfim o couro cabeludo do festival mais festival do país; e que miminhos de ovinhos encontramos. De rock que acorda às 8 da manhã para malhar ferro, passando a electrónica que se abana de coco na cabeça, o festival minhoto volta a fazer-se de variedade inimaginável, feito dum e num cenário difícil de igualar por qualquer outro.

Desta feita em formato graúdo mas sempre gratuito, o dia 0 do Milhões faz-se em palco crescido e vacinado. Na quinta-feira e em pleno palco Milhões (o principal, leia-se), destaque para pioneiros do pós-rock de seu nome Enablers, gigantes do alto dos seus End Note e Output Negative Space; de nomes gigantes a gigantes nomes, os Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs estarão lá para demolir a madrugada com stoner sujão, num dia que conta ainda com o experimentalismo dos Live Low e com o teclado frenético do sírio Rizan Said – senhor que assina como “rei dos teclados”, pela coroa de virtuosismo ímpar com que os toca.

Mergulhando no inevitável Palco Piscina, espaço que tão bem simboliza o que é o Milhões de Festa, destacamos a presença a abrir de Barrio Lindo, no que é um set colaborativo entre o colombiano e o português Lavoisier marcado para o inicio de tarde de sexta-feira. No mesmo dia e bem mais excêntrico será certamente o set de Orchestra of Spheres. Com grande parte do seu material completamente feito em casa e com recurso à mais variada parafernália, os neozelandeses são uma boa trip fumarenta e regada a fuzz, autêntica psicadelia que se bebe e dança. A encerrar a tarde de sexta-feira na Piscina estará o suíço de ascendência turca Mehmet Aslan. Produtor sabedor do funk e do house mais tribal, virá certamente mostrar que a técnica pode e deve servir a função. No dia seguinte fala-se luso do cima das bóias, com o set colaborativo MMMOOONNNOOO e Joaquim Albergaria a abrir as primeiras cannonballs, com destaque ainda para uma bem conhecida MVRIA, que chega a Barcelos para partilhar o deck com a também portuense Supa. A tarde de dia 22 encerrará de forma ruidosa, com a parede sónica dos Sly & the Family Drone a abrir autênticos tsunamis de ruído branco só para que sejam depois preenchidos a batucada e grunhidos de proporções épicas – guardem vaga nesse top de concertos do ano, wink wink. A última tarde de banhos será encabeçada pelo mais que único Jamal Moss aka Hieroglyphic Being, com as batidas techno de The Disco’s Of Imhotep a prometerem ecoar forte por tudo o que é recanto. Lugar ainda para o set colaborativo entre Moss e o americano Sarathy Korwar, este segundo que virá também apresentar-se em set próprio, que será certamente marcado por uma vincada componente orgânica e pela cultura indiana que tão bem tem embrenhada no seu sangue.

Também em terra se faz Festa, seja no palco Taina de sandes de rojão na mão ou até o sol raiar em pleno palco Lovers, boas escolhas abundam pelo Parque Fluvial de Barcelos. Na noite de quinta-feira damos relevo máximo às actuações de Ifriqiyya Électrique e de The Gaslamp Killer. Esses primeiros, franco-tunisinos têm em Rûwâhîne um disco para levar muito a sério. Saída do interior do deserto tunisino e vestida a metal forjado em tempos de pós-industrial, a sonoridade dos Ifriqiyya Électrique podia emparelhar com o último Mad Max de George Miller; hipnótico será, certamente, um adjectivo redutor. Já Gaslamp Killer é o alias de William Benjamin Bensussen, norte-americano de São Diego que assina actualmente pela Brainfeeder, label fundada nada mais nada menos do que por Flying Lotus. Vivendo de influências múltiplas mas sem nunca fugir às bases do hip-hop sobre a qual as aplica, Bensussen é daqueles artistas que nos parecerem à frente no tempo e espaço, como se cá tivessem aterrado oriundos duma galáxia bem bem distante.

Para o dia 22 recomendamos uma paragem pós-jantar pelo Palco Milhões, já que por ali passará Yussef Dayes com uma apresentação integral de Black Focus, e de onde não quereremos tirar olho das baquetas do britânico. Podem sempre ir ver os Graveyard ou então guardar o corpo e os tímpanos para o que virá depois. Yves Tumor sobe ao Palco Lovers pelas três e meia da manhã, para um set capaz de induzir a mais profunda desorientação. Contem com um autêntico incêndio alimentado a luz estroboscópica e holofotes vermelhos, propagado à mercê duma parede electrónica capaz de abanar quais queres fundações de estilo. Antes dele o vector da palavra de Moor Mother, ainda antecedido pelo noise rock grave dos britânicos Sex Swing.

Numa última tarde em que a juventude dos Galgo e o kraut de contornos punk dos Italia 90 se sucedem no Palco Taina pela mão da MDQB, a noite será feita das mais variadas formas e feitios nos dois palcos principais do Milhões de Festa. Ter num mesmo palco e, numa mesma noite, o hardcore «filhodaputa» dos Bad Breeding e o som quente e serpenteante dos Pixvae não aconteceria em sítio nenhum do mundo, não fosse precisamente no Milhões de Festa. Evidência maior da noite para Powell, produtor que nunca prometeu vir por ninguém a dançar, mas cujas baixas frequências são duma violência que atravessa e abana fronteiras, numa desconstrução do que é a música de dança diante o punk.

O Milhões de Festa realiza-se de 20 a 23 de Julho no Parque Fluvial de Barcelos. Os bilhetes diários custam 20 euros, enquanto os passes gerais se encontram à venda por 60 euros e disponíveis nos locais habituais.

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