No dia 22 de Abril teve-se a oportunidade de fazer algo que não se esperava fazer este ano. Na realidade, a título pessoal, acho que não esperava fazer em momento algum. Mas a oportunidade surgiu e, não só como fã mas também como um fã curioso, assistiu-se a Crazy Town ao vivo no Hard Club.

Não sabia bem o que esperar por várias razões: em primeiro lugar porque tive conhecimento das três datas que a banda fez cá por mero acaso – uma sugestão feita pelo Facebook! – , em segundo porque o Epic, um dos principais fundadores do grupo, tinha anunciado a sua saída em Janeiro. E também porque os tempos áureos de Crazy Town já lá vão e não fazia ideia se ainda haveria realmente público para os ver.

Quando entrei, infelizmente, confirmei a minha suspeita. Uma sala 2 quase despida mas que, por sua vez e vendo o copo meio-cheio, teve a oportunidade de desfrutar de um concerto de uma banda que realmente gostam de forma mais intimista.

Felizmente para nós, Shifty (agora como único vocalista) e o resto do seu grupo não se inibiram com a situação e começaram o concerto a rasgar com “Battle Cry”, do seu segundo álbum, o que fez com que o grupo de fãs se juntasse mesmo em frente ao palco. Seguiram-se três músicas do seu trabalho mais recente, The Brimstone Sluggers de 2015, de nome “Come Inside”, “A Little More Time” e “Backpack”, respectivamente. Estas foram adaptadas para concerto devido às versões em estúdio incluírem músicos convidados. Com algumas palavras de agradecimento ao público e elogios à cidade do Porto entre as músicas, continuaram com “Black Cloud” do seu álbum mais bem-sucedido, The Gift of Game evocando o ano de 1999, a primeira do mesmo nesta noite. Alternando entre “Change”, de Darkhorse (2002), e “Only When I’m Drunk”, novamente do primeiro álbum. “Lollipop Porn” é última da sequência de temas mais old school, que dá lugar a dois singles do seu último disco, “Lemonface” e “Born to Raise Hell”.

A fase final do concerto disparou com as últimas três músicas, dedicada aos clássicos da banda começando – primeiro “Toxic” e passando depois para a tão esperada “Butterfly”, ambas do disco que chegou a platina nos Estados Unidos. Em jeito de conclusão e explicando até que, normalmente, sairiam do palco e esperariam que o público pedisse mais uma, resolveram fechar o espetáculo com “Drowning”, um dos singles do segundo álbum e agradeceram a presença de todos os que estiveram no concerto.

Apesar de, em alguns momentos, se notar um pouco de desilusão devido à falta de público, os Crazy Town cumpriram a sua parte e deram um concerto como os verdadeiros fãs queriam ver, sabendo construir uma setlist que tem um efeito crescente de energia nos espectadores ao incluir todos os clássicos entrelaçados com temas mais recentes. De notar que foi também dado espaço para os músicos da banda mostrarem as suas capacidades, incluindo uma jam antes do grande hit, “Butterfly”.

Efectivamente uma banda que merecia mais público dado o espectáculo que proporciona, mas que não vive dias de grande popularidade no nosso país, aparentemente.

Texto: David Pereira

A fotografia utilizada não corresponde ao concerto da reportagem. Foto de ID Photography, tirada em Minsk, Bielorrússia.

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