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Da sensibilidade e da melancolia, Emma Ruth Rundle no Sabotage Club

A cantautora norte-americana Emma Ruth Rundle estreou-se em Portugal com três datas. Lisboa, Porto e Vila Real foram os locais escolhidos para receber os concertos de apresentação do mais recente Marked for Death, editado no final do ano passado. Na capital, num Sabotage Club completamente esgotado, foi a voz de Emma que sobressaiu num serão que teve tanto de intimista como de esmagador, tal a carga emocional presente.

No momento em que Emma Ruth Rundle subiu ao palco do Sabotage, já um pouco depois da hora marcada, o barulho das conversas paralelas e da música de fundo deu lugar a um silêncio imperturbável. Sozinha, no pequeno palco da sala lisboeta – que apenas está separado do resto do espaço por um degrau – , a norte-americana fez-se acompanhar somente das suas guitarras, uma acústica e uma eléctrica, símbolos da dualidade presente nas suas músicas, da folk cândida às camadas de distorção, da fragilidade ao tormento.

Cumprimentando timidamente o público, de olhos postos no chão, começou rapidamente a dedilhar as cordas da guitarra acústica, iniciando a melodia de “Run Forever”, de Some Heavy Ocean. E, nesse momento, os acordes fluem e tudo é música, desde as letras sussurradas junto ao microfone de forma suave e doce, que rapidamente quebram em laivos agudos e ríspidos, cravados nos nossos ouvidos – uma oscilação que é marca do registo vocal de Emma – , ao tacão da bota que, batendo sobre a tijoleira do chão, marca o ritmo e faz a percussão desejada.

A abordagem despida e crua às canções do novo disco, como “Protection” e “Marked for Death”, cuja temática pessoal, a experiência de sentimentos como a desgosto, a agonia ou a perda – identificáveis e possivelmente comuns a muitos -, é assombrada por uma melancolia e inquietação inerente, acarreta um peso próprio, que se manifestou na hesitação do público antes de romper esta atmosfera sublime ao “irromper” em aplausos. Em “Heaven” e “Shadows of my Name” a voz de Emma Ruth Rundle tomou corpo e projectou toda esta carga emocional muito além, sendo possível, pelo menos nas primeiras filas, ouvi-la a cantar de forma clara longe do microfone amplificado.

Descendo do estado de concentração e transe entre músicas, Emma esboçou sorrisos, confessou que era uma honra tocar em Portugal e que estava muito feliz por ter sido tão bem tratada por cá. Frente a frente e olhos nos olhos com o público, numa proximidade e ambiente intimista proporcionados pela própria arquitectura do espaço, partilhou connosco uma canção que havia escrito para a sua avó, por quem tinha um grande carinho e de quem herdou o nome Ruth. Para a despedida fomos brindados com “Real Big Sky”, uma canção que conquista uma luminosidade muito própria e transcendental, mais não fosse pela natureza da letra, e que encerra o último registo numa tónica de beleza trágica.

Texto: Rita Bernardo
Fotografia: Nuno Bernardo

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