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Um banquete de cores e sons – Soviet Soviet no Stairway Club

A noite de segunda-feira prometia apelar aos nossos instintos mais retro. Juntaram-se Soviet Soviet e Phantom Vision no Stairway Club em Cascais, no passado dia 17 de Abril e conhecendo o som destas bandas só podíamos esperar uma atmosfera de cor e som fora do comum. Esperava-se uma atmosfera onde o psicadelismo, o post-punk, o gótico e tantos outros caminhariam harmoniosamente, como de mãos dadas. Já a nós coube-nos simplesmente a libertação dos nossos pecados através da dança.

Os Phantom Vision já não são estranhos à casa e, mesmo com a coisa a meio gás, não deixaram ninguém na sala indiferente. Com 17 anos de carreira, esta banda lisboeta conta com cinco álbuns lançados e uma vasta experiência em performances ao vivo, tendo feito parte do cartaz do festival Entremuralhas em 2015 e do Santa Maria Summer Fest em 2016. O vocalista Pedro Morcego fica-nos na memória pelo seu intenso affair com o microfone e pela interpretação de temas deitado no chão, contorcendo-se, com movimentos em completa comunhão com a poesia das letras e uma sonoridade recheada de influências post-punk e darkwave. O som deles transporta-nos para uma daquelas festas de cave que às vezes vemos nos filmes, que aconteciam nos anos 80 às escondidas dos pais, quando a electrónica era novidade e todos aqueles que se vestiam de preto ainda chocavam os demais. Embora o concerto tenha sido curto, foi o suficiente para fazermos uma viagem através da discografia da banda, ouvindo temas do seu mais recente trabalho Ghosts lançado o ano passado e também temas mais antigos, como “Strange Attraction.”

Já os italianos Soviet Soviet podem facilmente ser referidos como uma das bandas do post-punk europeu que mais tem dado que falar. O sucesso deste trio começou com o lançamento do álbum Fate em 2013, em que deixaram claro que a sua sonoridade marcaria sobretudo pela recuperação do post-punk. Mesmo explorando esta onda mais revivalista, a verdade é que o tempo fez com que a banda encontrasse a sua imagem de marca com os lançamentos que se seguiram. A sua tonalidade mais moderna e a incorporação de componentes inesperados ao típico post-punk e new wave fez com que acabassem por ser uma lufada de ar fresco no género. Só em 2016 lançaram três álbuns e foi nesses que se notou a evolução do grupo, seguindo tendências que os deixaram mais perto do indie rock e shoegaze, o que acabou por torná-los mais acessíveis e abrangentes no que respeita ao seu público-alvo.

Foi então nesta febre de segunda-feira à noite que comprovámos que estes Soviet Soviet soam a uma barulheira infernal num campo de flores, com um som mais marcante ao vivo do que nos álbuns. Com uma atitude madura mas tímida, lá enfrentaram o pouco, mas apaixonado, público que se deslocou a Cascais para os ver. Debruçaram-se sobre o seu mais recente trabalho, Endless, e temas como “Endless Beauty” e “Surf a Palm” não escaparam ao repertório. Isto tudo sem nunca esquecerem a tão especial “1990” que não só pode como deve ocupar o pódio de temas de qualquer seguidor desta banda (independentemente do número que o constitua). A plateia, embora reduzida, ainda pediu por mais e no final pôde interagir com os artistas, sendo esta uma das principais vantagens de podermos continuar a assistir a concertos em espaços tão libertos de preconceitos como o Stairway Club.

Uma noite curta e em que, tal como havíamos previsto, o som conseguiu tomar inúmeras cores e formas, e as palavras apenas serviram para nos embalar e fazer mover mais e mais, sempre de olhos fechados. Fomos só nós e a música.

Texto: Andreia Teixeira

A fotografia utilizada não corresponde ao concerto da reportagem. Foto de Antonio Siringo, tirada no Sound Music Club em Frattamaggiore, Itália.

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