2 de Abril, noite de domingo antes de uma nova semana de trabalho, temperatura baixa, estava construído o ambiente ideal para deprimir, só faltava a banda sonora. Organizado como warm-up para o Santa Maria Summer Fest, dirigi-mo-nos então para assistir à corrosão mental de Psychonaut 4 com Nocturnal Depression naquele que era o quarto concerto da sua tour em conjunto.

Para abrir as hostes, os portugueses Humanart foram chamados a dar as suas provas no oculto depressivo. Corpse paint, roupa preta, pouca luz e muito fumo é como se quer um concerto destes, em que Humanart, com o seu black metal mais clássico, não se deixou acanhar pela pouca quantidade de público durante o seu concerto, tendo prestado muitos boas provas e boa presença de palco, não deixando os presentes arrependidos de terem chegado mais cedo e mostrando que nem sempre vale a pena só ver as bandas principais.

 

Seguiu-se o concerto que a maior parte do público (neste momento já substancialmente mais composto) queria mesmo assistir, Psychonaut 4. Menos corpse paint, mais depressão, mais ataque ao espírito e à sanidade. E tornou-se muito rapidamente no concerto da noite, sem sombra de dúvida. Uma agressão a tudo o que é são e àquilo que os nossos olhos nos levam a crer que vale a pena, quando realmente só nos querem fazer ter a noção do contrário, e que o mundo não passa de um sítio podre e com uma camada de plástico à volta a embelezá-lo. Intenso, pela musicalidade, pesado, pelo ambiente, versátil pela variação tonal das vozes e de toda a instrumentalidade, não esquecendo também o convite a Lord Lokhraed para se juntar aos cânticos numa música. Todo o espectáculo do início ao fim foi uma experiência e uma viagem ao lado mais negro do nosso cérebro e do nosso coração, um excelente caminho por eles aberto, mas muito difícil de preencher por qualquer restante banda, neste caso Nocturnal Depression, que infelizmente não conseguiu encher esse percurso.

 

Depois do espectáculo a que havíamos assistido, algo de melhor teria que vir, e não veio, e não num bom sentido. De volta ao corpse paint e a toda uma imagem mais dentro da ambientalidade black metal depressiva, os Nocturnal Depression deram realmente um bom concerto, mas sem realmente a intensidade depressiva e os pensamentos suicidas que desejam causar, como foi no caso dos seus acompanhantes de tour. Apenas em “Anthem to Self Destruction” se fez realmente notar o tom negro necessária para continuar a noite. A presença de duas pessoas irrequietas no meio de um público que não se mexia e o qual não tinha razões para tal, pois o ambiente não o proporcionava, também não ajudou. Sem lhes querer tirar mérito ou afirmar qualquer tipo de distracção, Nocturnal Depression foi realmente bom, mas com o concerto antecedente era muito difícil continuar algo do género, especialmente só com músicas do último álbum praticamente.

 

Mas assim se fez mais uma noite no já mítico Cave 45, e parabéns à organização por ter arrecadado este concerto tão bom num momento super apropriado.

Fotografia: Carolina Neves
Texto: Artur Basto

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