No passado dia 11 de Fevereiro, os Skunk Anansie subiram ao palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Um espectáculo de duas horas que se traduziu num autêntico frenesim, onde não faltaram os clássicos obrigatórios, algumas músicas do mais recente Anarchytecture e mesmo outras escolhas mais fora da caixa num alinhamento com uma mensagem poderosa. No meio disto tudo, celebraram-se os 23 anos da banda. Dúvidas houvesse, um Coliseu cheio foi prova: Existe uma relação sólida e um amor correspondido entre a banda e o público português.

“4 a New Religion”, lia-se em letras garrafais brancas no casaco e saia de Skin. A icónica vocalista dos Skunk Anansie foi a última da banda a pisar o palco, depois de Mark, Ace e Cass, com toda a energia para dar vida ao tema “Intellectualize My Blackness”.  Um tema que nos leva de volta aos primeiros anos da banda, com uma jovialidade, energia e, sim, alguma revolta, à mistura. A mesma energia crua que os tornou tão vitais na cena britânica dos anos 90.

Num alinhamento que frisou o passado, o presente e o futuro, algo ficou bem patente: Os Skunk Anansie abraçam o seu lado interventivo e, ao que parece, este é a força motriz e o combustível para uma performance electrizante como a que pudemos testemunhar. Desde o título do novo disco, ao discurso de Skin durante o concerto, apelando à não indiferença, especialmente numa altura em que a instabilidade política e a falta de tolerância ganham terreno, “Yes, It’s Fucking Political!” e “We Don’t Need Who You Think You Are” foram alguns dos temas que reforçaram a mensagem.

O público, que lotava o Coliseu – para onde quer que olhássemos, víamos sempre braços no ar –, respondia ao repto da vocalista e seguia-a enquanto esta, irrequieta, percorria o palco, subia às grades e, mesmo atravessava a plateia até à régie, regressando carregada entre os braços de todos, como aconteceu durante “Little Baby Swastikkka”, outra das canções cuja letra forte lança o mote.

No misto de emoções, houve espaço para a melancolia de “Because of You”, “Twisted” e “Weak”, esta última acompanhada por Skin na guitarra acústica. E claro, não esquecendo a “Hedonism”, com um coro de vozes afinado a emergir dos mas variados pontos do Coliseu.

Anarchytecture abriu também a janela para experimentar novas sonoridades mais pop e electrónicas, uma ruptura visualmente marcada durante o espectáculo com uma conjugação de luzes e guarda-roupa, que fez com que o casaco de Skin radiasse feixes de luz, durante temas mais recentes como “Victim” e “Love Someone Else”.

E ainda que a forte presença da vocalista seja avassaladora e, muitas vezes, centro das atenções, a verdade é que, volvidas duas décadas e seis discos, é mais do que perceptível que os quatro membros são a essência do som dos Skunk Anansie. Mark Richardson, um animal, no bom sentido da palavra, atrás da bateria, Ace, com a sua mestria na guitarra, Cass Lewis, com o poderosíssimo baixo capaz de fazer tremer o chão e Skin, uma das mais preponderantes vozes dos últimos tempos. Uma receita que parece ter conquistado o público português, que, apesar das visitas recorrentes do grupo ao nosso país, rumou em massa à sala lisboeta mais uma vez. Daí que, quando foi anunciado o 23º aniversário dos Skunk Anansie, com a entrada de um enorme bolo em cena, foram cantados os parabéns em português e em inglês, com toda a pompa e circunstância e com o rombo dos milhares de pés batendo sobre o chão, bancadas e camarotes do Coliseu. O contentamento de fazer parte de uma celebração especial. A primeira fatia foi partilhada entre membros da banda e fãs da primeira fila, seguindo o concerto num primeiro encore com “Tracy’s Flaw”, uma música “desenferrujada” para a ocasião em jeito de festejo, e a enorme malha que é “Charlie Big Potato”.

Tendo regressado para um segundo encore, com uma visível comoção pelos aplausos recebidos, o concerto de celebração terminou em beleza com uma versão acústica de “You’ll Follow Me Down”, de Post Orgasmic Chill, disco reeditado como prenda para esta digressão.

Fotografia e Texto: Rita Bernardo

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