O aguardado regresso dos Sum 41 a Portugal realizou-se no passado dia 20 de Janeiro, e o Coliseu de Lisboa encheu-se para receber um dos maiores símbolos do punk rock internacional.

O relógio marcava 20h45 e já éramos obrigados a cirandar pelo meio do público em busca de um local onde se conseguisse ver o palco. Nele, podia ler-se em pano de fundo o nome Pærish. Quinze minutos depois, os jovens parisienses subiram ao palco com “I Got Punched in the Face, What’s Your Excuse”, e, durante pouco mais de meia hora, apresentaram-nos alguns temas do seu álbum de estreia Semi Finalists. Apesar da recente formação da banda, o single “Undone” parece ter-lhes aberto muitas portas, conquistando mais de 3 milhões de audições no Spotify. Ainda que o registo seja um pouco diferente da verdadeira razão de todos estarmos ali, a boa interação com o público fez valer a espera.

Cinco anos depois de Screaming Bloody Murder, os Sum 41 são agora uma enorme potência de cinco elementos, depois da surpresa do regresso do guitarrista Dave Baksh. Fizeram cair o pano com “A Murder of Crows”, seguida de “Fake My Own Death”, retiradas do sexto e último álbum de originais 13 Voices, lançado a 7 de Outubro do ano passado.

“The Hell Song” marcou o início da nossa viagem à juventude, pelo menos à daqueles que tal como eu, fez parte da geração que teve Sum 41 como uma das trilhas sonoras dos tempos de teenager.

Depois de uma longa e dura batalha contra o alcoolismo, Deryck Whibley retorna às luzes da ribalta com mais força do que nunca. Os anos não pareciam ter passado por ele e a energia com que se entregava ao público era contagiante. Por entre os temas a sua comunicação e agradecimento aos fãs era constante e, para a felicidade deles, chega mesmo a chamar alguns para assistirem ao resto do espectáculo nas laterais do palco.

Mas nem todos os momentos altos foram baseados nos temas oldschool da banda. “War”, tema escrito por Deryck quando este se encontrava em recuperação, foi recebido com uma grande ovação, depois do próprio a dedicar a todos os fãs por serem a sua razão de sair vitorioso dessa batalha.

Saltando um pouco de álbum em álbum, os destaques da noite vão para temas como “Makes no Difference”, onde Deryck abandona o palco a meio da música para ir cantar junto dos fãs, daí seguindo para uma “With Me” entoada em uníssono por um Coliseu completamente rendido aos seus pés. Também uma cover de “We Will Rock You”, seguida por “Still Waiting” e “In Too Deep” estremeceram o recinto de uma ponta à outra, ameaçando um final não muito longínquo.

O encore fez-se a dobrar, havendo ainda margem para as imprescindíveis “Pieces” e “Fat Lip”. A finalizar, são os Pain for Pleasure que entram em palco, a banda alter-ego que os Sum 41 criaram em homenagem a bandas de glam metal das quais eram fãs, e que costumavam encarnar ocasionalmente em concertos, até à saída de Dave em 2006. Com o seu retorno, volta agora ao activo com o tema homónimo, e que figura no álbum All Killer, No Filler, ao qual a banda faz questão de interpretar com disfarces à imagem dos bons anos 80. E nas palavras de Deryck, “até à próxima, scumf*cks“!

Texto: Rute Pascoal
Fotografia de capa: Everything Is New

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