Ao fazer esgotar com alguma antecedência os dois dias reservados no emblemático Paradise Garage lisboeta, os Crystal Fighters mostraram mais uma vez, e do modo a que tão bem nos habituaram, a receita para o bem-viver musical: a celebração em família da festa da vida e do amor. Para um pequeno (e enlatado) público, foi pouco o espaço para fazer circular tanta boa energia. E maior fosse a sala, mais bilhetes teriam sido vendidos. Relembrar que no passado ano, 2015, a mesma banda esteve presente no SBSR com uma enchente no MEO Arena onde a festa se replicou por muitas mais centenas de pessoas, mesmo para quem, até então, os desconhecia.

A primeira parte do serão esteve a cargo de Kid Simius e The Pimientos. Dois putos de cabelo desleixado fizeram dos samples do rock uma festa eléctrica através dos batuques e guitarradas tropicais. Numa entrada que mais sabia a sobremesa, puxaram pelo público e pediram “mais alto por favor”. Dançava-se e bebia-se, mas sobretudo guardava-se espaço para o prato principal.

Com ascendência meio espanhola, foi na língua de nuestros hermanos que Crystal Fighters glorificaram o público que os recebia, metade deste (se não mais), vinda também do país vizinho. Foi já perto das 23h que os gritos estridentes fizeram esgotar todos os cantos da sala-lata-de-sardinhas, para uma “Follow” que arrancou os primeiros acordes. A combinar com a decoração naturalista do palco, os elementos da banda surgiram com roupas a fazer lembrar a terra e as suas origens. Vozes, sintetizadores, bateria, num estilo mais pop introduziram alguns dos seus novos temas, como “In Your Arms” e “Party All Night”. Bastava parar por dois segundos e sentia-se o chão abanar. Num jogo de lusco-fusco foi em tons esverdeados que se vibrou com uma “I Love London”. Entre enaltecimentos aos presentes, frisando “everywhere we go we have brothers and sisters just like you – we love you guys” não poderiam faltar as já conhecidas “LA Calling”, “Love Natural”, “Bridge of Bones” e “You and I”, quebradas por gestos de afecto no público.

Para o encore, guardaram a mais esperada “Plage”, encerrando depois com “Xtactic Truth” numa nova visita ao álbum de estreia em noite de apresentação do novo Everything Is My Family, lançado em outubro deste ano.

Texto: Ana Margarida Dâmaso

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