À chegada ao Musicbox já a plateia de alinhava junto ao palco e as luzes desciam para acolher Dara Kiely, Alan Duggan, Daniel Fox e Adam Faulkner – a Girl Band sem raparigas na formação. O que se seguiu, no que pareceram no máximo 30 minutos, pode ser metaforicamente comparado à passagem de um furacão.

A apresentar o disco Holding Hands With Jamie, lançado em 2015, os Girl Band não perderam tempo e passaram desde logo à acção. A sua natureza musical disruptiva mistura, num mesmo caldeirão, a violência e o imediatismo do punk, o peso da música industrial e ainda batidas electrónicas dançáveis. O resultado é arrebatador, com a figura altiva de Kiely, pendurado sobre o microfone, a pronunciar letras de forma arrastada ou a gritar como se expelindo um qualquer mal de dentro de si, a versatilidade de Duggan na guitarra, o corpo dado às canções por Daniel Fox no baixo e a monstruosidade, no bom sentido, de Adam Faulkner, que aparenta ser uma figura bastante singela no fundo do palco, na bateria.

Pelo meio, numa curta paragem forçada por alguns percalços técnicos, algumas palavras de apreço a Lisboa e a Portugal e a promessa de um regresso.

Já o público, empolgado, dançava de forma descontrolada e recebeu com entusiasmo as desconcertantes linhas de baixo que dão início a “Paul”, os intensos 20 segundos de “The Cha Cha Cha” e o turbilhão que é “The Last Riddler”, num alinhamento que visitou ainda alguns dos EPs lançados nos últimos anos. Para o final ficou “Why They Hide Their Bodies Under My Garage?”, uma pergunta pertinente e uma música que, tal como as outras, escala num turbilhão e desatino pungente que não deixa ninguém indiferente. Finda a actuação, caótica, ruidosa, estranha e muito breve, a adrenalina dá lugar ao cansaço, depois de uma experiência de tal energia e veemência, e fica a prova do porquê de esta ser uma das bandas a ter em atenção.

Texto: Rita Bernardo
Fotografia: Nuno Bernardo

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