Nuno Craveiro e João Freire formaram-se como Névoa em 2014 e desde então que o percurso da dupla tem dado que falar – ora pela estreia The Absence of Void em 2015, ora pelo novo Re Un lançado logo um ano depois. A jovem banda portuense prepara-se então agora para o seu primeiro concerto em nome próprio depois de apresentar o referido novo álbum no Amplifest e no Reverence Valada, dando depois um salto substancial para a Holanda para actuar no gigante Le Guess Who?, um dos festivais de referência do ciclo europeu de novas tendências.

Esse primeiro concerto em nome próprio acontecerá esta sexta-feira, 4 de Novembro, no Cave 45 no Porto, com a primeira parte de Sinter, projecto reerguido das cinzas de Sektor 304 onde André Coelho (Iurta, Mécanosphère) e João Filipe Pais (HHY & The Macumbas, Mécanosphère) assumem uma nova estética do desperdiço industrial, dos processos mecanizados, da repetição e da percussão tribalizada. A noite será no entanto de Névoa, onde a dupla contará com habituais membros de sessão em palco – Ivo Madeira (Memoirs Of A Secret Empire) e Miguel Béco de Almeida (ATILA, Örök) – e interpretará Re Un uma última vez antes da viagem a Utrecht. Uma pequena entrevista ajuda-nos a antecipar estes acontecimentos.

O percurso da banda tem sido quase vertiginoso. Em 2014 davam os primeiros passos e hoje já têm dois discos e fazem parte do roster da Amplificasom. As expectativas de há dois anos apontavam para este cenário ou a fluidez dos acontecimentos é que vos trouxe a este ponto?

Quando começámos não tínhamos propriamente expectativas, mas todos os últimos acontecimentos eram objectivos nossos desde o início. Respondendo à tua pergunta, acreditamos no que fazemos e é uma motivação ver que tudo se tem desenvolvido de uma forma natural.

O novo Re Un desmarca-se da sonoridade de The Absence of Void com elementos mais lentos e algum psicadelismo em direcção a um black metal mais próprio. Como é que essa transição se deu em apenas um ano?

Após o lançamento do primeiro álbum já tínhamos decidido integrar influências completamente diferentes para o que viria a ser o Re Un. Isto aconteceu não só por não querermos dedicar-nos a outro álbum dentro de um género que consideramos já estar algo saturado, mas também devido a uma evolução natural tanto a nível musical como pessoal.

Até que ponto os vossos músicos de sessão fazem parte do processo criativo?

Embora Névoa tenha apenas dois elementos principais, a contribuição do Ivo [Madeira] e do Miguel [Béco de Almeida] tem-se feito notar cada vez mais. O The Absence of Void foi totalmente criado por nós os dois, no Re Un o Ivo gravou o baixo (o disco foi produzido em live take e isso permitiu-nos poupar tempo) e o Miguel contribuiu com back vocals. Em relação ao futuro, temos a certeza que a participação deles será ainda maior.

Re Un foi apresentado pela primeira vez na íntegra no último Amplifest. Acreditam que o facto de serem do Porto contribuiu para que chegassem mais rápido ao festival?

Sermos do Porto ajudou por estarmos perto das pessoas ligadas à Amplificasom e por ser um meio já confortável para nós. No entanto, foi obviamente a nossa música a levar-nos ao Amplifest.

O próximo concerto no Porto será o primeiro em nome próprio e terão os Sinter na primeira parte. Sendo tão jovens em comparação, como encaram terem os nomes dos experientes João Pais Filipe e André Coelho e os seus processos industriais a abrir para vocês?

É um grande orgulho partilhar o palco com os Sinter e não podíamos estar mais contentes com a escolha uma vez que a música deles é bastante diferente da nossa, mas integra um grau de experimentalismo e originalidade essenciais para nós. Além disso, Sektor 304 e tanto o João Pais Filipe e o André Coelho como músicos são referências para nós, no panorama musical português.

O vosso primeiro concerto fora do país vai acontecer logo num dos mais aclamados festivais da Europa, o Le Guess Who?, reconhecido por pautar algumas das novas tendências. Com que olhos vêm esta primeira aventura lá fora, num evento que não impõe quaisquer barreiras entre géneros?

O Le Guess Who? é um dos nossos festivais de referência na Europa, não só pela localização e estatuto como precisamente por essa convivência entre diferentes géneros, à qual damos bastante valor. Por isto, termos sido convidados para tocar lá é uma honra e uma grande oportunidade para nós.

Em entrevista ao Bodyspace após o concerto no Amplifest indicaram a possibilidade de um terceiro álbum já no próximo ano. É possível que o futuro passe por aí e por novas datas lá fora?

Sim, já estamos a trabalhar tanto no próximo álbum como em novas datas lá fora e esperamos ter mais novidades sobre tudo isso daqui a algum tempo.

Entrevista: Nuno Bernardo

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