Falar em “mais vale tarde do que nunca” talvez não seja a expressão mais feliz do mundo em relação aos 65daysofstatic. Deixando de lado aquela primeira parte para os The Cure há quase dez anos (!), custa realmente a crer como é que o quarteto de Sheffield nunca tinha por cá passado em nome próprio até à data. Até pensar em discos como um ainda recente Wild Light e na banda sonora para um badalado No Man’s Sky parece descontextualizado perante outros tempos. Eventualmente a culpa será mais nossa do que deles, assumimos mesmo, a verdade é que falar agora de 65daysofstatic soa deslocado e algo perdido em relação ao que foram outros anos, até porque poucos ovos expiraram mais depressa do que aqueles que se foram metendo na gaveta do pós-rock.

Competência ninguém lhes tirará certamente; dividindo o alinhamento entre faixas desse mesmo Wild Light e sacando da cartola temas desse jogo de Sean Murray e David Ream, os britânicos soaram sempre grandes de sobra para uma sala 1 do Hard Club que se encheu pela metade, largando muitas vezes as guitarras que povoavam a sua carreira inicial pela ambiguidade de teclas não menos urgentes. Se calhar a nostalgia por The Fall Of Math nos faz ser menos razoáveis, até porque por ventura a música que nos tocam agora não será pior que a tocavam nesse ano de 2004, a verdade é que durante o que terá sido cerca de uma hora de concerto nunca soaram tão bem como a interpretar “Radio Protector” ou  “Install a Beak in the Heart That Clucks Time in Arabic”. Num género que está longe de ter envelhecido bem, os 65daysofstatic têm cabelos brancos mas estão vivos e vão fazendo por respirar, e se calhar isso é um feito de registar por si mesmo.

Na primeira parte estiveram os Thought Forms, trio britânico que os tem seguido na tour europeia.

Texto: Rui P. Andrade
Fotografia: Daniel Sampaio

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