O Outono chegou e com ele se acompanhou uma brisa que percorreu as ruas do Cais do Sodré. Passou por um mar infindável de nacionalidades que se fizeram estrear na noite lisboeta, uma típica sexta-feira local. A brisa continuou a percorrer, mas o único local que chamou realmente a atenção para o fim da mesma respondeu pela fila que se acumulou à porta do Sabotage Club.

A fila cresceu à medida que a noite escureceu, mais e mais, e quando demos por nós,  não houve mais sinal do seu fim. As portas abriram para a pequena mas acolhedora sala do Sabotage – os bilhetes começaram a voar. Na fila, entre conversas e reencontros, perguntou-se se haveria espaço para tantas almas penadas. Após uma espera infindável, o Sabotage compôs-se. As conversas e as bebidas lá se trocaram, assim como o desagrado de um atraso tão excessivo. Mas a vontade do público de ver um concerto que há muito era desejado, permaneceu intacta. A espera que crescia desde 2013 chegou ao fim. Os Löbo finalmente voltam a pisar um palco de Lisboa, cinco meses depois de um anunciado regresso e concerto no Porto, carregando com eles uma tremenda vontade de mostrar a sua música ao mundo, outra vez.

A escuridão apoderou-se do Sabotage, e com ela a brisa gélida que se fez aquecer ao som atmosférico de Löbo. A primeira nota tocada gritou Älma e com ela a relembrança do disco que havia sido lançado em 2010 – agora merecedor de relançamento em cassete e vinil. Assim o negro dos olhos cerrados fez viajar pelo vasto micro-cosmos invocado por um quarteto de instrumentos.

O público devaneou. Sentiu a carne e a sombra. Sentiu cada palavra que havia ficado esquecida, suspensa, calada pela banda. As cabeças rodopiaram em torno de Älma e com isso uma vontade incandescente de permanecer, integrar a massa do instrumental cósmico e assoberbante da matilha.

“Por fim só. Livre” foram as palavras que descreveram um concerto que havia fechado um capítulo a sete chaves desde 2013. Por fim, este Löbo está agora de volta com a esperança de permanecer nos palcos nacionais. Livre pela “Nöite” fora, uivando em comunhão com as mãos cheias de tudo.

Texto: Mariana Pisa
Fotografia: Alexandre Paixão

Leave a Reply

Your email address will not be published.