Num primeiro evento pós-Milhões de Festa a marcar passo pelo Understage, foi a vez dos Pop. 1280 por lá passarem pela mão Lovers & Lollypops na passada sexta-feira, dia 16 de Setembro. Fechando no Porto uma série de três datas em que passaram por Lisboa e Leiria anteriormente, a viuvez pós-punk dos norte-americanos prometia fazer tremer alicerces e tingir os tímpanos dos que por lá passassem, e cumpriu.

Dividem-se entre o rock ruidoso e uma hipnótica maquinaria industrial; guitarras distorcidas, voz arranhada, sintetizadores bem presentes e um sentido rítmico que não gosta de inventar. A fórmula está batida e inventada. Desde logo quando assentaram pé na Sacred Bones com o lançamento de The Horror em 2012, viviam já do estatuto da pós-modernidade, do que é a punk no século XXI e de cabeceiras de Philip K. Dick. Se em disco a coisa acerta em mais clichés da pós-punk do que aqueles que aprendemos a enumerar, em palco, o volume alto e a energia marcante de Chris Bug servem para distanciar os nova-iorquinos de toda a pasmaceira que envolve as lamurias típicas do género. Baseando-se em grande parte em Paradise para a digressão que os trouxe a Portugal e ao Understage do Rivoli,  o disco lançado no passado mês de Janeiro pela mesma e inevitável Sacred Bones denota uma agressividade distinta quando é transcrito para o palco e bebido com uma caneca de suor acabado de pingar. Os Pop. 1280 parecem ao final de contas uma banda que encontrou um fio condutor pelo meio de águas paradas, uma que foi capaz de achar um nicho e acima de tudo um conjunto de ideias que merecem ser escutados ao vivo.

Texto: Rui P. Andrade
Fotografia de Renato Cruz Santos (Lovers & Lollypops)

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