O projeto folk de Leiria Few Fingers lançou o seu disco de estreia “Burning Hands” em Outubro de 2015. A prolífica banda com selo Ominchord Records já começou a trabalhar no sucessor do primeiro álbum que, sob a inspiração de Neil Young, Ryan Adams e Fleet Foxes, evoca a saudade de quem está longe. A Ruído Sonoro esteve à conversa com Nuno Rancho (Bússola, Team Maria, solo) que, com André Pereira (Ultraleve, Team Maria, Quem é o Bob?), “coloca o dedo na ferida” das relações interpessoais.

O que deu origem ao nome “Few Fingers”?
O projeto surgiu a convite do Hugo Ferreira da Omnichord Records, que queria uma canção original minha na compilação Leiria Caling. Eu tinha uma canção que achei que ficaria bem com a lap steel guitar do André e convidei-o para gravá-la comigo. O resultado final acabou por ser tão meu como dele, e fez sentido fazer um acréscimo ao nome. Pensámos em Nuno Rancho e mais alguns dedos, e ficámos Nuno Rancho and a Few Fingers. Depois, quando começámos a gravar um álbum em conjunto, Nuno Rancho já não fazia qualquer sentido e passámos a ser apenas os Few Fingers.

O álbum de estreia “Burning Hands” possui algum conceito?
Propositadamente, não. Contudo, creio que todas as canções giram à volta da mesma temática: relações humanas entre duas pessoas (ou mais) e tu, como espectador, a observar o mundo, a ver as pessoas.

Porque optaram por gravar o disco em casa?
Somos um pouco control freaks, temos o know-how necessário e algumas condições para isso. Sabíamos que conseguiríamos fazê-lo e, assim, estava tudo nas nossas mãos.

Few Fingers #02 - Cópia

A cultura típica portuguesa é evidente no vídeo do tema “Our own Holidays”. Qual foi a importância deste fator para vocês?
Na verdade, a ideia do videoclip vem toda da Diana Antunes. Foi ela que imaginou todo aquele universo na cabeça dela, ficou tudo ao critério dela. Não há dedo nosso ali.

Consideram que Leiria é um berço musical? O que achas do panorama musical atual a nível regional e nacional?
Acho que sempre houve muita coisa a acontecer em Leiria: muitas bandas e muita vontade de fazer coisas. O que existe agora é uma editora com alguém disposto a apostar nessas bandas e mostrá-las ao resto de Portugal. Nunca foi fácil para as bandas locais saírem de Leiria e serem reconhecidas fora de Leiria. Agora conseguimos, porque temos uma editora que faz isso por nós. A nível nacional, está tudo cada vez melhor. Existem tantos projetos nacionais bons que é difícil acompanhar tudo. Ultimamente tenho andado a ouvir o EP de Cave Story, de que gosto muito.

Quem são os músicos de referência de Few Fingers?
Para este álbum, guiámo-nos muito pelo som de Neil Young, mas também pelo folk de Ryan Adams. Sou também fã do folk de Fleet Foxes, o que me ajuda a escrever canções folk mais introspetivas.

Como é fazer parte da família Omnichord Records?
Para mim é confortável, uma vez que tenho família dentro da Omnichord. Estou em casa, já conhecia muito do pessoal das bandas antes, o que me deixa muito confortável.

Se tivesses de escolher apenas um projeto, em quem apostarias todo o teu dinheiro?
Ia apostar todo o meu dinheiro em Few Fingers! Neste momento apostava em nós, até porque temos coisas novas para gravar. Já tenho muitos rascunhos e coisas gravadas no telefone e no computador. Está tudo um pouco desorganizado ainda! Quero sair do registo das canções simples e despretensiosas e tornar as canções um pouco mais dinâmicas, com mais poder. Falta um pouco de margem para as canções crescerem mais e é isso que vamos tentar de diferente. . Claro que teremos canções simples, mas queremos experimentar um pouco mais e fazer mais barulho!

Few Fingers #03 - Cópia

Como começou o teu interesse pela música?
Tenho um irmão mais velho que é o responsável por tudo. Levou uma guitarra lá para casa e, apesar de nunca ter tocado em banda nenhuma, sempre foi o responsável por isso. Tinha muitos discos de Rock e eu passei muito tempo no quarto dele a ouvir música. O Nevermind, de Nirvana, foi provavelmente o disco que eu ouvi mais. Tentei começar a tocar guitarra com 16 anos, mas achei que não tinha jeito nenhum para aquilo e desisti. Depois, com 18 ou 19, voltei a tocar. Apesar do folk dos Few Fingers, tenho um lado mais Rock’n’Roll!

Tens algum músico com quem gostasses muito de tocar?
Gostava de fazer uma jam com o Josh Homme. Acho que seria interessante fazer um bocado de Rock’n’Roll com ele.

Existe alguma história engraçada que possas partilhar com os leitores?
Lembro-me que, no festival Boreal em Vila Real, metemos conversa com o senhor de um restaurante. Ele tinha tanta vontade de falar connosco que não nos queria deixar ir embora e quase chegámos atrasados ao concerto. Contudo, confesso que também estávamos a gostar da conversa!

Few Fingers #04 - Cópia

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Entrevista de: Nídia do Carmo
Fotos de: Ricardo Graça

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