Vinte minutos antes do começo ainda se via uma fila considerável na entrada do Coliseu. Eram muitas as pessoas que esperavam por Damien Rice que depois de um concerto inspirador na Casa da Música, desceu do Porto para no Coliseu dos Recreios provar que o seu registo intimista ainda tem muito para dar. Com um público onde a média de idades estava acima dos vinte e cinco o ambiente era bem diferente do que se tem encontrado ultimamente. Ainda que com uma plateia sentada a ansiedade era palpável e poucos eram os lugares desocupados. A primeira parte ficou a cargo de GYÐA que se apresentou em tons suaves mas depressa se viu que estes enchiam o Coliseu. Sem o seu parceiro habitual que estava ausente para receber o seu novo filho, GYÐA guiou-nos por uma viagem que passou pelo seu trabalho e pela música clássica. Com alguma timidez e uma simplicidade assumida foi o aperitivo perfeito para o que se seguiu.

Após um intervalo agitado, onde mais lugares foram ocupados, Damien Rice entrou em palco e qual não foi o seu espanto quando percebeu que algumas pessoas tinham marcado presença no concerto do Porto na noite anterior. Mais surpreendido ficou quando lhe relembraram que já tinha estado em Lisboa em 2003 a fazer a abertura de Lamb no Pavilhão Atlântico, onde outros estiveram também. Sozinho em palco com a sua guitarra e uma luz que só o mostrava a ele transformou uma das maiores salas de espectáculos em Lisboa num espaço acolhedor e intimista. Com uma voz sem falhas e um ambiente mágico cantou “I’m the Greatest Bastard” e o público ficou rendido.

Com uma explicação deveras interessante para como muitas vezes os rapazes se metem em problemas por seguirem outros “sentimentos” e conselhos de como saber se estamos realmente apaixonados o concerto continuou com “Amie” e “Cheers Darlin’”. Foi então que alguém do público pediu para acompanhar o cantor e após alguma confusão com o seu nome, e para surpresa de muitos incluindo a irmã, Bernardo subiu ao palco e acompanhou “Colour Me In” e mesmo sem ensaio os dois cantaram e encantaram. Bernardo foi mesmo convidado para “ir beber um copo” com o artista depois do concerto! Há pessoas com sorte…

Depois de “Long Long Way” surgiu outro momento alto e ouvimos “Cannonball” às escuras no silêncio que merecia e que mostrou a devoção do público àquela voz. Mas foi com “It Takes a Lot to Know a Man” que mostrou todo o seu talento. Com a gravação no momento de vários instrumentos e da sua própria voz, Damien mostrou-nos porque lhe chamam de génio. Após a despedida veio o encore que trouxe a música mais aguardada, “The Blower’s Daughter” e seguiu-se “Volcano” num dueto com GYÐA – a cereja no topo do bolo num concerto que nos deixou a desejar por mais. Fica a esperança de um regresso rápido daquele que é um dos mais talentosos músicos de uma geração.

Texto: Filipa Valente
Fotografia: Everything Is New

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