O entusiasmo ainda se emanava nas ruas de Lisboa por conta da nossa primeira, e tão merecida vitória no Euro 2016, porém, os caminhos não davam só ao Palácio de Belém, mas davam também ao MEO Arena para recebermos 40 anos de carreira dos Iron Maiden.

A fila começou a crescer cedo, o entusiasmo já se desenvolvia há dias, e de um mar vermelho e verde, surge um mar negro rico em todas as idades que partilhavam todos a mesma paixão: a música.

As portas abrem, e em poucos minutos a rena já respirava os gritos de euforia “Campeões”, “Portugal” e claro “Maiden”. Após um sofrido tempo de espera, os The Raven Age sobem ao palco com a promessa de fazer valer a pena o tempo que ainda se esperava pelos gigantes. “Uprising” foi a música que deu início a mais uma noite memorável. No palco fomos presenteados com George Harris que fez-nos ver que a música corre pelo sangue de toda a família assim como o carisma e a vontade de mostrar ao público português que merecem pisar o palco que pisam. “Promised Land”, “Eye Among The Blind” e “Salem’s Fate” fizeram parte do primeiro concerto da banda em Portugal. Mostraram ser merecedores do título que carregam e tiveram a aprovação do público português.

The Raven Age havia acabado, e a sala sufocava cada vez mais a cada minuto que passava. Estava quase. A euforia inicial transformou-se numa colectiva família de exclamações e cânticos. Aproximava-se, cada vez mais. Por fim, o palco começa a ser descoberto pelos mantos pretos que o cobriam. As luzes começam a acender e eis que se houve “If Eternity Should Fail”. Iron Maiden voltavam a pisar um palco português e a exaltação pelo seu retorno não podia ser maior.

Após o seu último concerto na capital, em 2013, com três anos que foram enfrentados por cancro (de Bruce Dickinson) e pela dor da idade, a banda que estava à nossa frente era a mesma dos anos 80 – uma energia ofegante e uma vontade tremenda de passar a noite a tocar. Grande parte do concerto foi dedicado ao novo álbum, The Book of Souls, que mostrou que mesmo sendo um registo recente, já é bastante acarinhado pelo público. Entre mudanças de fundo, um palco completamente inspirado na arquitectura azteca com direito a jogos de fogo e de fumo, Steve Harris voava de um lado pelo outro com um sorriso no rosto. As piadas sobre o Euro 2016 não faltaram e Bruce aproveitou-se disso para criar mais laços com o nosso público abraçando um cachecol de Portugal e mostrando-se, assim como nós, vitorioso.

Foi já perto do final do concerto que nos surgem os tão impressionantes Eddies que juntando às tão conhecidas “The Trooper”, “Fear of the Dark” e “Iron Maiden” fizeram o concerto estar completo. As luzes apagaram-se, os gritos ecoavam por toda a Lisboa. Ainda não havia acabado. Os Iron Maiden voltaram a pisar o palco por uma última vez e as bandeiras e t-shirts de Portugal fizeram-se unir com as mesmas de mais de 15 álbuns para os últimos minutos que restavam.

O encore começou com “The Number of the Beast”, em que Steve Harris não resistiu e vestiu uma t-shirt da nossa Selecção. De seguida fomos presentados por um discurso emotivo de Bruce Dickinson em que falou de racismo, religião e de que nada importava, pois todos somos “Blood Brothers”. Um momento emotivo seguido de uma música que fazia todo o sentido naquele exacto momento. “Wasted Years” encerrou o concerto e acabou com as últimas cordas vocais que o público ainda possuía.

Desilusões? Nenhumas. Os britânicos souberam mostrar mais uma vez que a idade para eles não tem limites, assim como a sua imaginação e energia. Esperamos graciosamente mais três anos se assim for preciso, mas o único pedido é para que voltem.

Texto: Mariana Pisa
Fotografia: Everything Is New

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