Depois de celebrados os vinte anos de Super Bock Super Rock, e instalando-se novamente na sua margem original aos olhos do Tejo, o festival parte agora para a sua vigésima segunda edição de mãos dadas com uma invejável coesão na construção de alinhamentos diários.

Não é por acaso que se celebram já mais de duas décadas de sucesso. O Super Bock Super Rock sempre soube e continua a saber identificar ícones da música, seja qual for o género, ora em formato de lenda ora de rei da actualidade. Num primeiro contexto referimo-nos, claro, do mito Iggy Pop, um dos mais autênticos punks que a história conheceu. Num segundo não se podia deixar de referir a presença do já ‘King’ Kendrick Lamar, nome que eleva as maiores virtudes do hiphop numa clara ligação ao universo old school.

Mas dos nomes óbvios aos talentos em cartaz escondidos dos holofotes, compilamos dez motivos (claro que podiam ser muitos mais) para não perder este 22º Super Bock Super Rock no Parque das Nações, em Lisboa. O resto da matemática é simples. 5 palcos e 3 dias – 14, 15 e 16 de Julho. O cartaz todo, aqui.

#01 Kendrick Lamar

Ok. Como enumerar motivos para não perder o festival sem começar mesmo por Kendrick Lamar? Não é só por ser autor de duas pérolas recentes do hiphop, good kid, m.A.A.d city e To Pimp A Butterfly, mas também ter neste concerto em Lisboa um de apenas quatro marcados na Europa neste verão. Por nós, não há nada de errado em fechar um festival com rock no nome com algo deste calibre – já assim o tínhamos antecipado em formato de playlist. Trata-se pois de um coroado rapper que se experimenta com o jazz e com o soul. Trata-se de alguém que já guarda sete Grammy Awards nas prateleiras e que ainda inspirou David Bowie no seu álbum de despedida. Tudo isto com apenas 29 anos. Não é só o motivo número 1 para não perder este SBSR, é também um dos concertos mais aguardados do ano – a 16 de Julho, no Palco Super Bock.

#02 Iggy Pop

Iggy Pop também de ser prontamente apresentado como um motivo a não perder este festival. O lendário frontman dos The Stooges tem mais 40 anos do que Kendrick Lamar, mas não é por ser veterano que deixou de ser o animal de palco que sempre foi. Do proto-punk para o garage rock, passando por uma infinidade de correntes que abraçou ao longo de uma carreira iniciada em 1960, Iggy Pop é figura incontornável da história da música. Estará em apresentação o último disco, Post Pop Depression, lançado este ano e escrito em conjunto com Josh Homme, mas não serão dispensados hinos que assinou, como “Lust For Life”, “The Passenger”, “Search and Destroy” e “I Wanna Be Your Dog”. A maior lenda viva do punk como atitude pisará o Palco Super Bock no dia 15 de Julho.

#03 Massive Attack & Young Fathers

Ausentes na edição de novos discos – Heligoland já tem seis anos – mas nunca muito distantes dos palcos. Em 2014 passaram pelo Super Bock Super Rock e repetem a façanha, agora com um novo EP, Ritual Spirit. Acompanhados pelos escoceses Young Fathers, talentoso trio que surpreendeu o mundo ao conquistar o Mercury Prize em 2014 com Dead, os Massive Attack reivindicam a sua propensão em alimentar o seu ‘Bristol-sound’ com os sons mais frescos sem perder de vista as raízes do passado. Cogitando-se agora o lançamento do sexto álbum de originais, a expectativa não poderia ser maior. Até Tricky está de volta às colaborações com o duo pela primeira vez desde 1994. Actuam no Palco Super Bock no dia 15 de Julho.

#04 The National

Se há banda que não se pode queixar de ter uma relação estreita com os seus fãs portugueses é esta. Os The National já actuaram de norte a sul do país várias vezes, mas cada nova visita é digna das maiores atenções. Autores de uma linhagem rica de álbuns, desde a estreia homónima de 2001 até aos mais recentes High Violet de 2010 e Trouble Will Find Me de 2013, a banda do estado de Ohio já anda a preparar o seu sétimo longa-duração, existindo portanto a possibilidade de ouvir faixas novas no Palco Super Bock no dia 14 de Julho.

#05 De La Soul

Porque o dia 16 de Julho é claramente dedicado aos fãs de hiphop, não pode passar despercebida a passagem de De La Soul pelo festival. Andam nisto há muito tempo – são quase 30 anos de carreira, um dos mais antigos colectivos de hiphop em actividade – e em 1989 lançaram uma das obras-primas do género, 3 Feet High and Rising. A história tem-se então desenhado desde aí. Influenciaram Mos Def, mantiveram-se ao lado de A Tribe Called Quest na Native Tongues Posse e ainda ganharam um Grammy Award pela colaboração com Gorillaz em “Feel Good Inc.”. Regressam este ano aos álbuns, quatro depois do último, com And the Anonymous Nobody, onde figuram participações de Damon Albarn, David Byrne, Jill Scott, Snoop Dogg ou Usher.

#06 Kelela

Apesar do maior destaque ir, naturalmente, para o Palco Super Bock, não significa que existam motivos para não perder este festival noutras paragens. O Palco EDP, por exemplo, vai receber no último dia a presença de Kelela. Ainda desconhecida por muitos mas um talento em bruto para outros, já mereceu as atenções de Björk e Solange Knowles pelo seu R&B rendilhado e denso, tal como apresentado recentemente no EP Hallucinogen. Não somos adivinhos nem temos bolas de cristal, mas quer-nos parecer que, daqui a uns anos, a norte-americana terá muitos mais fãs por cá. Aproveitem agora e não digam que não avisámos.

#07 Jamie xx

Jamie Smith, produtor e DJ britânico conhecido por Jamie xx e por ser integrante da banda The xx, ganhou notoriedade no universo da electrónica e do future garage graças a We’re New Here, em 2011, disco de remisturas de I’m New Here de Gil Scott-Heron. Francamente bom, e já com o selo da XL e da Young Turks, só conheceu sucessor em 2015 com In Colours. Este sim, o primeiro disco de originais a solo, que lhe valeu logo uma nomeação para Grammy Award e que se atreveu a figurar em diversas listas de final de ano. Apesar de não ser uma estreia em Portugal, vai ser a primeira vez que actua com álbum só seu na bagagem – a 14 de Julho no Palco EDP.

#08 DJ Shadow

DJ Shadow é Josh Davis. Referir que Josh é o autor do grande Endtroducing….. devia ser motivo suficiente para não perder este concerto, mas o percurso do produtor não é só composto por este marco do sampling e do hiphop instrumental. Quem tem em posse mais de 60 mil discos para recortar e criar obras originais nunca se pode inquietar e vinte anos depois da estreia surge o sexto álbum, The Mountain Will Fall com a participação de Run The Jewels e Nils Frahm, e também concerto marcado no Super Bock Super Rock, no Palco Carlsberg a 14 de Julho.

#09 Mac DeMarco

O motivo número nove podia cair para três nomes – para o de FIDLAR, para o de Kurt Vile ou para o de Mac DeMarco. É seleccionado o último não porque não actua cá há não sei quanto tempo (até porque, na verdade, nos tem visitado sempre nos últimos anos), mas sim porque o canadiano é dos artistas em cartaz com a vibe mais condizente com o verão. Tem faixas quentes e relaxantes, daquelas que pedem que o sol se ponha nas suas costas, e tem também uma boa disposição invejável para com os fãs. Depois de 2 e Salad Days, DeMarco lançou no verão passado o mini-LP Another One, mote para mais um concerto de sorriso de orelha a orelha no Palco EDP no dia 15 de Julho.

#10 O Palco Antena 3

Repete-se o motivo número dez do ano passado. O Palco Antena 3 continua a ser uma aposta de menção dado o caudal de novos talentos, confirmados ou em clara ascensão, que existe na música nacional. Das canções de Samuel Úria e Benjamim às rimas e batidas de Mike El Nite e Slow J; do rock estelar de peixe : avião aos ritmos tropicais de Pista; da atitude de Glockenwise ao tributo a Prince pela mente de Moullinex; enfim, vai uma série de argumentos para descobrir ao longo de três dias num só palco.

Autor: Nuno Bernardo
Fotografia: Super Bock Super Rock

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