Dificilmente poderíamos criar mais expectativa e antever tanto um festival como o próximo NOS Primavera Sound. Fizemos a nossas apostas antes de ser relevado o cartaz final, não sobrando muito tempo até termos pronta uma playlist para o antecipar. Do seu alinhamento descobrimos e compilámos o rock e ainda passámos a pente fino a carreira de uma das artistas confirmadas. E o festival faz também a sua quota-parte: lançou o Mini NOS Primavera Sound no Parque da Cidade do Porto três dias antes de mostrar as suas virtudes à zona histórica da cidade.

As datas aproximam-se finalmente. Os dias 9, 10 e 11 de Junho vão enriquecer o recinto com alguns nomes consagrados, alguns até históricos, balançados por projectos emergentes a ter em conta num futuro próximo.

Quinta-Feira, 9 de Junho

O dia de abertura do NOS Primavera Sound não funciona a todo o gás em número de palcos, mas não quer dizer que não o faça através do alinhamento. O concerto de “Apertura” é de Sensible Soccers, trio nortenho que mostrará a sua Villa Soledade a abanar as ancas logo desde cedo. Seguem-se U.S. Girls de Megan Remy com o fresco Half Free e Wild Nothing de John Alexander Tatum com o novo Life Of Pause em destaque – dois projectos de mentes singulares a ter em consideração nesta edição do festival. Já o rock transformista de Deerhunter, que tanto namora a nova vaga psicadélica como o garage rock e o shoegaze, mostrará os seus argumentos do recente e aclamado Fading Frontier, sem esquecer a atenção que mereceram em 2010 com Halcyon Digest. Também Julia Holter tem construído uma carreira sólida, juntando aos excelentes Ekstasis e Loud City Song o brilhante Have You In My Wilderness – um disco doce e que transparece todo o talento da californiana. O maior destaque do dia cai para os cabeça-de-cartaz Sigur Rós, a surgir no Porto para a segunda data da sua digressão mundial (portanto, o segundo concerto desde 2013) com novo álbum à espreita. O dia entra em recta final com o post-punk desconcertante de Parquet Courts e as odes electrónicas pela noite de fora no Palco Pitchfork com DJ Fra, Red Axes e John Talabot, mas pelo meio há Animal Collective, uma das mais influentes e aclamadas bandas do universo alternativo da última década. Painting With marca o regresso de Avey Tare, Panda Bear e Geologist às edições e aos concertos em conjunto.

Sexta-Feira, 10 de Junho

Ao segundo dia e já com quatro palcos a dar música, começa para alguns o drama das sobreposições horárias. Tal só acontece graças à riqueza de um alinhamento diário que contém algo tão importante como o Brian Wilson, mente dos The Beach Boys a celebrar os 50 anos de Pet Sounds numa verdadeira lição de história do rock, cercado por nomes que ele próprio influenciou. Entre esses estão o de Beach House, Destroyer ou Cass McCombs, citando apenas nomes que actuam no festival no mesmo dia. Também muito influente, e provavelmente também pelo Sr. Wilson, PJ Harvey prepara-se para provar (para os que têm dúvidas) porque é uma figura da música tão incontornável desde o início dos anos 90. The Hope Six Demolition Project é motivo suficiente para um espectáculo renovado e uma nova Polly Jean para descobrir. Desses anos 90 recupera-se ainda o grunge de Mudhoney e o proto-grunge de uma década acima de Dinosaur Jr, evoluindo mais tarde para um nome forte do noise rock. Mas há mais: o jovem cantautor Roosevelt justificará a aposta no seu nome antes de editar o seu primeiro álbum e os já veteranos Tortoise mostram a sua unicidade no post-rock do novo The Catastrophist. Já as femme fatale Savages investem em Adore Life depois de vencerem com a estreia Silence Yourself e os Protomartyr terão oportunidade de mostrar um dos melhores discos de rock de 2015, The Agent Intellect.

O dia 10 de Junho será também marcado pela electrónica de diversos talentos – Lorely Rodriguez, ou Empress Of, mostrará a sua estreia Me; White Haus de João Vieira (X-Wife) promete dança no primeiro concerto do dia; Beak> provarão que é possível serem independentes do peso de um projecto paralelo de Portishead; Holly Herndon argumenta com o virtuosismo experimental de Movement ou Platform; a mente do neurocientista Sam Shepherd revela-se como Floating Points em formato live e o duo Kiasmos aliará as mãos de Janus Rasmussen às composições neoclássicas de Ólafur Arnalds. Também neste dia actuarão os berlinenses Mueran Humanos e guardará-se expectativa para o hiphop de Freddie Gibbs, terminando-se (ou recomeçando-se) o dia com The Black Madonna.

Sábado, 11 de Junho

Para o derradeiro dia as maiores atenções vão precisamente para o primeiro nome revelado para esta edição do festival – AIR. A dupla francesa de «amor, imaginação e sonhos» são nome em voga na electrónica downtempo mais almofadada desde a estreia Moon Safari em 1998, depressa transformando-se como uma referência da pop suave e espacial. Já a junção de Apparat e de Modeselektor resultou em pleno como Moderat e oferece um pólo diferente de electrónica. O minimal techno e o IDM são rótulos colocados à superbanda alemã que partiram em 2016 para a edição do seu terceiro álbum e consequente estreia nacional. Neste dia no Palco NOS passará também a synthpop de Caroline Polachek e Patrick Wimberly enquanto Chairlift e ainda o novo Sirumba de Linda Martini.

As alternativas nos outros palcos não ficam atrás num dia inclinado para a distorção extrema das guitarras. No palco do lado, o Palco Super Bock, passará o post-rock emotivo de Explosions in the Sky, o rock matemático de Battles, o post-punk meets gospel de Algiers e ainda o indie pop dos catalães Manel, a trazerem para cá um pouco da língua do festival-irmão mais velho. O 11 de Junho convoca ainda a sujeira do rock de Ty Segall and the Muggers, os ritmos blues de Neil Michael Hagerty & The Howling Hex, a opera punk de Titus Andronicus, o experimentalismo de Autolux, o indie distorcido de Car Seat Headrest, o garage de Royal Headache e ainda o metal e o post-hardcore de Unsane e Drive Like Jehu. De mencionar ainda para o regresso inesperado de A.R. Kane e a confirmação de Cate Le Bon a suplantar Loop e Bardo Pond após o cancelada a presença destes. O finale de NOS Primavera Sound inclui ainda os residentes Shellac para quem perde a oportunidade de os ver ano após ano e Fort Romeau a debitar as últimas notas do festival.

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