O último concerto da tour europeia de Mark Lanegan deu-se em Lisboa, no Cinema São Jorge, anunciando romaria a esta mítica sala de espectáculos. An Evening With Mark Lanegan prometia mais um encontro memorável com uma lenda viva do rock e que acaba por ser um habitué no nosso país.

Pelas 21h em ponto, já com a Sala Manoel de Oliveira bem composta, mas ainda com muitas pessoas a circular fora dela, LYENN, a primeira proposta musical da noite, apresenta-se em palco. Tímido e de poucas falas, tem apenas meia hora para provar o que vale ao público português, na sua condição de desconhecido. Sob um manto de luz azul forte e acompanhado apenas da sua guitarra, toca faixas dos seus dois álbuns de estúdio. De voz límpida e suave, embala-nos com “One More Time” e surpreende no final de “Seeds and Semen” com falsetes que despoletaram em rasgados gritos. Um elogio à melancolia.

Sem espaço para demoras, Duke Garwood – com quem Mark Lanegan colaborou no disco Black Pudding – entra em palco, dizendo que o “apressaram” e que não está pronto. Não parece, pois o concerto apesar de curto revela-se coeso. De fato preto e acompanhado pela sua Gibson cor de cobre, o britânico molda o ambiente para um registo mais grave de uma folk experimental. Passando por temas como “Disco Lights” e “Honey in the Ear” ainda tem tempo para elogiar a bonita cidade de Lisboa.

 

Após uma pequena pausa de 15 minutos, é hora do tão aguardado Mark Lanegan surgir em cena. É acompanhado pelo guitarrista Jeff Fielder, Frederic “Lyenn” Jacques no baixo e Duke Garwood também na guitarra. De poucas falas, recebem os aplausos entusiastas do público e começam com “One Way Street”, de Field Songs.

Continuam com “Creeping Coast Line of Lights”, seguida de “Mirrored” e “Strange Religion”. Chegamos até “The Gravedigger’s Song”, uma faixa mais acelerada de Blues Funeral e bastante aplaudida. Dos registos mais recentes não faltaram temas como “You Only Live Twice” do álbum Imitations bem como “I Am the Wolf”, “Torn Red Heart” e “Judgement Time” de Phantom Radio, onde a voz de Lanegan quase que canaliza um Tom Waits.

No encore, estiveram presentes “Driver” e “Mescalito” na qual Lyenn faz uso das maracas. Houve ainda espaço para uma homenagem aos Screaming Trees com “Where the Twain Shall Meet”. O toque final do concerto fica entregue a “Halo of Ashes”, onde Jeff Fielder dá largas ao seu virtuosismo na guitarra, arrancando uma ovação do público. E é também Fielder que despende mais alguns minutos do seu tempo para retribuir o carinho aos fãs portugueses, elogiando-nos, respondendo com palmas ao nosso parecer positivo e informando que, à semelhança do concerto em Braga, Lanegan iria estar a distribuir autógrafos no final do concerto. Ainda que distante de nós, Mark Lanegan é sinónimo de excelência musical, deixando para trás mais um concerto de luxo no nosso país.

Fotografia: Alexandre Paixão
Texto: Andreia Vieira da Silva

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