Sábado, 7 de Maio – o aquário da Galeria Zé dos Bois foi pequeno demais para receber a “capitã da guerrilha cor-de-rosa” e respectivos convidados. Todo o calor que se fez sentir naquele cúbico numa noite chuvosa na capital, mostrou o porquê de dezenas de pessoas ali presentes usarem a sua energia numa hora de partilha e sentido de existência comum.

Para este momento, Capicua rodou-se dos seus habituais companheiros, a destacar, na voz, M7 (Marta Bateira), igualmente conhecida pela sua personagem youtuber Beatriz Gosta, tendo sido frequentes as referências (#tudodebom e #quemacreditavai) e inúmeros aplausos. Para a “Soldadinho”, surpreendeu com a participação de Tamin, a cantora que participara já no álbum. Só faltaram mesmo as sempre presentes projecções desenhadas. Em sua substituição, a par de luz da ZDB, um pano vermelho de fundo com representações simbólicas das diversas escritas de Ana, a jovem nortenha que continua a levar “Vayorken” a todo o país.

Um público repleto de admiradores, conhecedores claros do trabalho de Capicua desde os seus primórdios, acompanharam as suas expressões de amor e revolução em cada estrofe e só pararam quando a musica se apagou e deixava a nu as palavras tanto ou mais sentidas que pensadas, saídas da mente pelos batimentos de alguém que, há muito tempo, se importa consigo e, até talvez mais, com o seu redor.

Dado que as suas letras têm base questões do seu quotidiano ou acontecimentos de quem a rodeia, as suas letras são muitas vezes usadas como um processo de catarse, e embora muitas composições tenham já feito parte do reportório ao vivo de Capicua, parece-lhe não fazer sentido continuar a tocá-las. Foi o caso de “Sagitário”, provavelmente a musica mais pedida da noite, que não tivemos hipótese de escutar.

Já “Amigos Imaginários” foi apresentada como a música mais pedida em todos os concertos e levou, neste, a um coro bonito. Mas como na só de imaginação se vive, para a despedida, e porque não podemos esquecer que se tratava de um concerto de lado esquerdo, o mesmo do coração, assistiu-se a uma sentida declaração da finitude da vida, pois até o mais inesperado acontece e cabe-nos a nós, enquanto seres pensantes e sentidos, voltar a erguer(-nos) no bem que o Outro nos deu, enquanto nos presenteou com a sua presença.

Texto: Ana Margarida Dâmaso
Fotografia: Joana Mateus

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