No passado sábado dia 9 de abril, o Beat Club, palco de alguns dos melhores concertos alternativos em Leiria, acolheu punk rock nacional no feminino. As lisboetas Anarchicks estiveram menos de uma hora em palco, mas deram tudo o que tinham em três quartos de hora intensos, de doce rebeldia e entrega genuína.

Foi com o tema homónimo do EP que apresentavam, We Claim The Right (To Rebel And Resist), que as quatro jovens deram início ao espetáculo, após um pequeno momento de suspense inicial quebrado pela contagem espontânea da baterista. Depois do single Psychloop, com direito a um chocalho improvisado inspirado nos ovos Kinder, e de Femme Fraktale, seguiu-se uma versão personalizada de Anarchy In The UK, intitulada Anarchicks In The Who Cares; um momento divertido, ainda mais do que o resto, num concerto que não pecou em boa disposição.

Sempre sorridentes e com uma atitude vincada e cheia de estilo, um pouco mais tímida na vocalista, seguiu-se Take And Live It, precedendo o momento em que Marta Lefay saiu de palco e se juntou ao público, para deixar a restante banda brilhar na instrumental Full Throttle. O restante EP em cartaz foi debitado quase todo de seguida, primeiro com Witch One, com uma prestação intensa, quase que em disparos, na bateria, seguindo-se Slide To Unlock, deambulando numa estrutura musical mais lenta e progressiva (lamentavelmente com a voz demasiado baixa para ser perceptível), e por fim My Way, com uma bela passagem entre estas duas músicas, sendo que nesta última houve um interessante jogo vocal entre a vocalista e a baixista.

Anunciando o aproximar do fim do concerto, para desagrado do público que nem sempre se manifestou da forma mais educada, as Anarchicks tocaram Beatles, interpretando Helter Skelter; para terminar, o tema que faltava de We Claim The Right, Sloppy Seconds, em cuja versão de estúdio participa Peaches. Perante o entuasiasmo da plateia de meia centena, a banda acabou por voltar para um encore sem novas músicas, repetindo We Claim The Right e Witch One, os dois grandes temas do novo trabalho.

De louvar pela coragem de enfrentar o palco sem medo e ignorando os comentários menos próprios, as Anarchicks são talvez a forma mais doce de anarquia que conheço; meia década de existência já deu para perceber que têm energia e qualidade para seguir longe no sempre difícil mundo do rock nacional.

Fotografia: Marina Silva
Texto: David Matos

Leave a Reply

Your email address will not be published.