Foi numa noite fria e chuvosa na capital, que o já grupo de culto português Linda Martini se estreou a solo no Coliseu de Lisboa. A decisão podia parecer arriscada – a de apresentar um álbum lançado apenas 24 horas antes e num espaço tão mítico como a sala lisboeta – mas o público disse presente e a noite foi de consagração.

Pelas 21h50m a banda entra em palco, André Henriques (voz e guitarra), Cláudia Guerreiro (baixo), Pedro Geraldes (guitarra) e Hélio Morais (bateria), os “putos” de Massamá/Queluz perfeitamente alinhados para jogarem Sirumba.

Com um alinhamento extremamente bem estudado, um equilíbrio perfeito entre a apresentação de novas canções e o desfilar de temas de Olhos de Mongol, Casa Ocupada e Turbo Lento, o concerto iniciou-se com o tema homónimo do novo álbum, seguindo-se o single “Unicórnio de Sta. Engrácia”. Desde os primeiros acordes que se notou a imensa comunhão entre publico e banda, com os primeiros a berrarem a plenos pulmões os refrães das novas musicas, como se de clássicos da banda se tratassem. Seguiu-se “Juventude Sónica”, onde se continuou a testar os alicerces do Coliseu. Entre crowdsurfing, mosh, saltos, berros em uníssono, todos nós éramos “putos” novamente. “Preguiça”, “Putos Bons”, este com direito a dedicatória, “Comer por Dois”, “Dentes de Mentiroso”, “Bom Partido” e “Farda Limpa”, temas do novo álbum, foram intercalados com “Dá-me a Tua Melhor Faca”, “Mulher-A-Dias”, “Volta”, “Estuque” e “Amor Combate”. Para o fim estavam reservados “Ratos”, tema capaz de alimentar revoluções,  e “O Dia Em Que a Musica Morreu”, tema que finaliza o novo Sirumba e que pode ser muito bem tornar-se num dos novos hinos da banda.

Porém, o público pedia mais, o jogo não podia terminar já, o Coliseu em uníssono entoava o refrão de “Cem Metros Sereia”, exigindo que fossemos para prolongamento.

A banda voltou, visivelmente emocionada com tamanha demonstração de amor por parte dos fãs e brindou a sala com “Dez Tostões”, “Panteão”, “Este Mar” e “Belarmino Vs.” e o desejado “Cem Metros Sereia”. Tudo estremecia, com uma bateria pungente, guitarras descontroladas, os versos entoados no palco eram replicados por um público completamente rendido e por esta altura já Pedro Geraldes mergulhava nos braços do público, Hélio Morais confessava «esta noite casava», formando assim um retrato que dificilmente sairá da memória de quem o vivenciou.

Instalado o tremor de terra no Coliseu, que demorou cerca de duas horas, houve ainda tempo para mais uma réplica, tamanha era a insistência do público. “O Amor é Não Haver Policia”, terminava assim o jogo de Sirumba. Ninguém pedia o fim, mas ninguém se importou de se acabar assim.

Fotografia: João Lambelho
Texto: Pedro Teixeira

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