Do Texas ao Cais do Sodré viajou a banda Ringo Deathstarr, para mostrar o seu mais recente trabalho, Pure Mood. Numa noite de segunda-feira, 21 de Março, em que se esperava ruas calmas e sem grande aparato, decorriam gravações cinematográficas mesmo em frente à porta da sala, o Sabotage Club, que entre as luzes de estúdio distribuídas estrategicamente pela rua e o ocasional «…acção!» proporcionou uma atmosfera divertida entre quem ia entrando na sala, visando até o guitarrista Elliott Frazier e a baixista Alex Gehring que pacientemente esperavam à porta pela hora da sua actuação.

A primeira parte esteve ao encargo do português one-man-band Acid Acid assinalado ao vivo com duas pessoas em palco. Por mais que diferiu dos cabeça-de-cartaz pôde proporcionar um bom contraste atmosférico para anteceder ao próximo concerto com o seu space rock, kraut e drone psicadélico, possivelmente familiar a ouvintes da banda Flying Saucer Attack.

Logo após entrar em palco, Elliott Frazier, o guitarrista e vocalista de Ringo Deathstarr, agradece a comparência do público e menciona a origem da banda, facto que aparentam dar muita importância como está patente nas suas t-shirts disponíveis para compra junto à entrada que portam uma enorme silhueta do estado do Texas. O espectáculo teve início com uma rajada de músicas do já icónico álbum Colour Trip, a sua estreia de 2011,  que permitiu agradar aos fãs que podiam esperar rasgos iniciais da ainda curta carreira. As faixas foram interpretadas com uma enorme energia que contagiou todos os presentes e desencadeou uma vontade inexplicável de contrariar a inércia de uma noite fria. Com o volume a atingir níveis muito elevados, típicos do movimento do shoegaze, ninguém pode ficar indiferente à guitarra brilhante e gritante, à voz angelical de Alex Gehring e à bateria hipnotizante de Daniel Coborn, produzindo sons que levam qualquer um a sair da sala melhor traduzido, pelo menos no que diz respeito ao aspecto espiritual, com músicas como “Two Girls” e “Kaleidoscope”.

Ficou assim marcada a primeira das Reverence Underground Sessions, guardando-se agora para Abril e Maio concertos de Bizarra Locomotiva e Mão Morta, respectivamente.

Texto: Ricardo Silva
Fotografia: Luís Custódio/Tracker Magazine

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