À boa maneira de parte do universo do conteúdo do post-punk e do darkwave, o negrume, a visceralidade dos sentimentos ou a vulnerabilidade emocional sombreiam a música dos The Soft Moon. Deeper, recentemente editado em 2015, não foge disso mesmo. Do início ao fim, transporta-nos para ambientes soturnos, místicos e de conflitos internos na mente de Luis Vasquez. Perante uma sala esgotada, os americanos subiram ao palco do Musicbox no passado sábado, 12 de Março, trazendo consigo algumas das mais recentes canções e um punhado de clássicos.

As incursões pela electrónica, do EBM, ao electropunk, encorpam temas como “Black”, a comandar o início, obscura, revolta em ruído e camadas esparsas de sintetizadores. “Dead Love”, a recordar o homónimo de 2010, ou “Machines” de Zero ecoam na voz sôfrega, sussurros exasperados de Vasquez e remetem-nos para a sinfonia clássica gótica, baixo serpenteante. “Far” lança uma sinfonia acelerada, convidativa a um sacudir de combros e cabeça galopante, catártico. Agradecimentos e aplausos infinitos depois, entravam em palco Ninos du Brasil, a dupla dos italianos Nicolo Fortuni e Nico Vascellari prontos para varrer a sala com a sua “electro-batucada” durante pouco mais de meia hora – perucas cintilantes nas cabeças, confettis pelo ar e tambores armados, numa apoteose do samba, noise e corpos suados na pista.

O início da noite ficou ao cargo dos portugueses Älforjs e da sua incursão pelos caminhos do jazz e da improvisação, combinados com sonoridades tribais e electrónicas analógicas, o trio composto por Bernardo Álvares, Raphael Soares e Mestre André, com um lançamento previsto para breve, aguçaram-nos o ouvido num diálogo coeso entre experimentações vocais e um oscilar entre a calma e o desconforto.

Fotografia e Texto: Telma Correia

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