Nem mesmo a noite chuvosa ou o clássico na capital detiveram o público que na passada sexta-feira encheu a sala Manoel de Oliveira, no Cinema São Jorge, em Lisboa.

Com uma primeira parte a cargo de Cachupa Psicadélica, apresentado naquela ocasião somente por LuLa’s (Luís Gomes) na voz e guitarra, eram já poucos os espaços por ocupar. Este cabo-verdiano simpático de voz grave transportou à plateia às suas raízes de Mindelo, numa viagem pelo Último Cabo-Verdiano Triste, o seu disco de estreia, de 2015. Mergulhado em memórias com “Alternativa Imaginário Cabo-Verdiano”, foi com “3/4 de Bô” que agitou os mares portugueses. Sob a Lua, num show de luz e cor, levou a fotossíntese aos presentes com “Amor de Laranjeira” e, emocionado, dedicou uma canção à sua irmã, inspirando-se na relação dos seus pais.

 

Batiam já as 23h e… PAUS. Palmas, Pratos e a sala estremeceu! Desde o saltar do chimbal à vibração do chão (que mais parecia o metro sob nós em hora de ponta), difícil mesmo foi ficar sentado. A força inesgotável desta banda fez cumprir a sua missão. Conjugando a ininterrupta actuação aos efeitos visuais cujas sombras absorviam todo o ímpeto dos artistas, destacou-se o single de estreia de Mitra, “Pela Boca”, a dar inicio à sessão. Foi então que “Pandeia” elevou a sala ao clímax, criando um efeito “headbanging são-jorgense”, ao qual ninguém ficou indiferente. Para o final, só mesmo um encore alternativo, sem pausa, seguido de um after no Lux Frágil. CD apresentado, mensagem assimilada: «Sejam bem-vindos à bolha, somos todos Mitra», somos todos PAUS.

Fotografia: Tomás Lisboa
Texto: Ana Margarida Dâmaso

Leave a Reply

Your email address will not be published.