Ainda o relógio não marcava as 20 horas e já a rua do Coliseu dos Recreios se enchia de gente – a fila estendia-se para ambos os lados e eram muitos os que esperavam pela abertura de portas para tentar a primeira fila da sala. Quando ainda faltavam 20 minutos para a actuação de Rhodes, responsável pela primeira parte, já a sala se encontrava preenchida, deixando percepcionar a diversidade de idades entre o público. Os mais novos aproveitaram a espera, como tem vindo a ser habitual, para registar o momento e os flashs dispararam até ao momento em que a luz se apagou.

Embora não fosse conhecido de todos, Rhodes entrou em palco e ao segundo tema já se dava a entrega do público, mas foi com “Let It All Go”, que interpreta com Birdy, que conquistou um lugar nos nossos corações. Ficou um desejo de o rever rapidamente após um concerto curto – ficou aquela magia de um espectáculo intimista onde o músico se apresentou a sós com a sua guitarra, entrelaçando-se de tal forma que soube encher um palco daquele tamanho.

Se Rhodes conquistou o público, Hozier já tinha isso tratado quando, ainda em fase de testes de som, já o público gritava como se este estivesse surgido em palco. A reacção do Coliseu não surpreendeu ninguém sendo este uma das estreias nacionais mais esperadas do ano e apenas o próprio parecia surpreendido com tamanha recepção ao primeiro espectáculo. Entre elogios à audiência e ao inglês dos portugueses, Hozier cantou e encantou com “Someone New” e “To Be Alone”, mas foi com a incontornável “Take Me To Church”, sem surpresa, que a casa foi abaixo. Foi acompanhado em todas as faixas por um público que provou aquilo que é já uma solida base de fãs, mesmo com a ainda curta carreira do irlandês. Depois de uma despedida do palco, ficou bem claro que se podia ficar por ali e foi com “Cherry Wine” e “Work Song” que regressou e fechou o concerto. A resposta do público manteve-se pronta até aos últimos instantes, sobrepondo as suas palmas à vontade de Hozier – «Wait! I’ll go first!». Fim de uma grande noite, dose suficiente para ser repetida assim que possível.

Texto: Filipa Valente
Fotografia: Everything Is New

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