Numa votação feita pelo público em 2014 para escolher as bandas de abertura das Amplifest Sessions encabeçadas por Tim Hecker, Kadavar e Maybeshewill foram escolhidos, respectivamente, ATILA, Juseph e Memoirs Of A Secret Empire. Galardoados com uma posterior presença no Amplifest 2015, os dois últimos acabariam por se juntar para preparar um espectáculo único. Com as valências de cada a surgir para o grand opening de um palco que no mesmo dia recebeu Converge e Altar of Plagues, os Juseph e os MOASE não se viram rogados em preencher a sala para os ver. Ora cinco em palco, ora três, num versus faixa-a-faixa, encontraram-se por fim os oito em palco para mostrar que também se sabe batalhar sem vencedores.

Tal colaboração acabaria por visitar três outros palcos em Dezembro e contou-se ainda com a presença de Katabatic, nome seminal do post-rock português para apresentar em vinil o mais recente EP Weighs Like a Nightmare on the Brains of the Living. Uma semana depois de Coimbra e Leiria, os nortenhos Juseph e MOASE encheram a carrinha e desceram até Lisboa, no passado dia 18.

Dizer que encheram a carrinha é fácil de comprovar pela quantidade de material espalhado nas imediações do palco do Musicbox ao final da tarde. Cabos para um lado, pedais para o outro, instrumentos ainda sem lugar no palco e a real questão – será que cabem todos? – a surgir na cabeça de cada um. O sim surgiu pouco antes do jantar.

 

Depois de Katabatic também se mostrarem prontos em palco, foi à mesa que se discutiram outros problemas. Entre o “pernoitar em Lisboa” ou “seguir viagem a seguir ao concerto”, os copos ficaram vazios e os pratos limpos, quase sem vestígio do peixe que foi à boca. «Está quase tudo pronto, mas não nos quisemos antecipar. No próximo ano lançamos o álbum», contou Henrique, baterista dos Memoirs Of A Secret Empire, sobre o primeiro registo de longa-duração da banda, enquanto os lugares vagos à mesa denunciava a troca de cigarros à porta do restaurante. Foi também momento de, em jeito de pré-concerto, alguns membros da banda trocarem palavras com amigos da capital. Mas vá, rápido, os Katabatic já tinham fintado as atenções e não faltava muito para abrirem a noite. Seguiram-se Memoirs Of A Secret Empire e Juseph, antes da união final, a batalha amigável que fez parecer o palco do Musicbox tão cheio como um estádio de futebol em noite de derby.

 

O Musicbox, depois de findado o concerto, viu-se preenchido nas suas extremidades. Uma sexta à noite, em pleno Cais do Sodré, não se podia manifestar de outra forma. Nas traseiras escutavam-se umas notas dos Pop Dell’Arte a fugir do Sabotage intercaladas com as buzinadelas dos taxistas. De alguma forma, naquela rua entupida, Vítor da Planet Core havia de conseguir estacionar a carrinha para se devolverem os instrumentos à estrada. A promessa do regresso a Lisboa ficou selada quando ainda nem metade do material estava arrumado – sozinhos ou acompanhados, os Juseph e os Memoirs Of A Secret Empire deixaram provas de que não é só em cima de um palco que um concerto é feito.

Portas fechadas.
Já está tudo na carrinha?
Sim.

Fotografia e Texto: Nuno Bernardo

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