Afinal de contas, haveria melhor forma de cantar os parabéns à Lovers & Lollypops do que com dezoito horas de concertos pela tarde e noite dentro? Num total de quinze concertos repartidos entre dois palcos que iam funcionado alternadamente passaram boa parte dos nomes do catálogo da editora nortenha; um verdadeiro desfile, portanto, mas no qual depressa se denotou um carácter quase familiar.

A variedade essa foi logicamente muita e o PA da sala cantou em todas as formas e línguas, da sensualidade hipnótica da electronica de Sequin às cavalgadas amplificadas duns Black Bombaim, passando ainda pelo exotismo duns Senyawa e pelos ritmos virulentos dos franceses Acid Arab.

E se foi efectivamente à Lovers a quem se ali se soprou dez velas, foi à antiga Casa Moura a quem não se tardou a escrever uma declaração de amor. O espaço em estado de abandono às margens do Douro tem de ser dos mais especiais da cidade e trouxe uma mudança bem vinda a um círculo mais ou menos estabelecido de salas por que vamos passando. O Porto não tinha memória duma festança assim faz tempo. Que se monte uma ALDEIA destas todos os anos, e acima de tudo que se soprem mais dez, rapazes.

Texto: Rui P. Andrade
Fotografia: Renato Cruz Santos

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