Os Pista apresentaram o disco de estreia, Bamboleio, no Musicbox, na sexta-feira, a noite em que o rebento do trio de “pedalcore” barreirense foi posto à venda. A recepção, como manda a norma, foi feita com pompa, circunstância e a “família” toda junta.

Entrámos no Musicbox em passo acelerado e já Bruno Afonso, Cláudio Fernandes e Ernesto Vitali estavam em palco, acompanhados por Óscar Silva, também conhecido como Jibóia, a interpretar a faixa que dá o nome ao disco. África e Oriente em palco numa explosão exótica, fresca e à qual não conseguimos passar ao lado sem balançar freneticamente o corpo.

Óscar era apenas um num leque de convidados especiais que havia sido apresentado previamente, um a um, no Facebook da banda, entre os quais estavam o multifacetado Nick Nicotine, que esteve frequentemente em cima do palco durante toda a noite, o homem do blues Fast Eddie Nelson, a dupla Dirty Coal Train, o Benjamim, que produziu o disco, e o sempre enérgico Alex D’Alva Teixeira. Os dois últimos subiram ao palco para interpretar “Sal Mão”, o último single lançado.

O objectivo? Uma ginga colectiva, uma festa bonita e uma felicidade que irradia a cada nota. Os ritmos quentes das faixas do disco sucederam-se vertiginosamente e o público, envolto numa dança descontrolada, atirava balões de um lado ao outro da sala do Cais do Sodré. Já os convidados, esses, apareciam em palco ou saltavam do meio da multidão para o palco, numa roda-viva difícil de acompanhar. Alex D’Alva Teixeira ainda ficou para “A Tal Tropical” e Fast Eddie Nelson protagonizou um regresso ao EP com “Pista”. “Puxa”, como música orelhuda e familiar que (já) é, animou ainda mais os festejos. Houve ainda tempo para um tema novo e para uma aparição dos peculiares Bro-X, colectivo de hiphop da Baixa da Banheira, que trouxe “Bum Bonba”, que foi cantado a plenos pulmões por alguns dos fãs mais devotos da fila da frente com uma pujança tal que fez o Musicbox tremer.

Na noite em que os telemóveis nos chamavam incessantemente com notícias dispersas vindas de França, os Pista souberam puxar-nos com malhas poderosas como “Onduras” ou “Boxe Fantasma” para uma alienação sã e para uma alegria desejável. Estivemos, fizemos parte e celebrámos e a música é isto mesmo.

Para fechar a noite, “Queráute” trouxe dez minutos sempre a abrir, a pedalar sem parar, com todos os convidados no palco, possivelmente uma das maiores enchentes que já ali vimos. Dois bateristas, um baixo, muitas vozes, mas ainda mais guitarras. No final, os abraços comovidos desta grande família e a certeza de que Bamboleio trará muitas mais noites felizes e de casa cheia. Visivelmente rendida, a plateia não deixou os Pista ir embora sem voltar ao palco para tocar a contagiante “Puxa” mais uma vez, para a despedida.

Fotografia: Nuno Bernardo
Texto: Rita Bernardo

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